Após distúrbios, polícia russa prende 1,6 mil imigrantes em Moscou

Nacionalistas russos brigaram com imigrantes da Ásia Central e do Cáucaso no fim de semana

O Estado de S. Paulo,

14 de outubro de 2013 | 10h31

(Atualizada às 17h30) MOSCOU - A polícia russa prendeu nesta segunda-feira, 14, mais de mil imigrantes em um bairro de Moscou onde, um dia antes, confrontos marcaram os protestos pela morte de um russo a facadas. Segundo a imprensa russa, a polícia entrou em Biryulovo, no sudoeste da capital russa, para realizar uma "operação profilática" e levou mais de 1.600 pessoas para a delegacia para comprovar se tinham seus papéis da imigração regularizados.

Um grupo de defesa dos direitos humanos alertou os imigrantes do Cáucaso e Ásia Central, regiões de maioria muçulmana, para um crescente risco de ataques depois do conflito de domingo.

Imagens de TV mostraram os imigrantes de pé ao lado de muros ou alinhadas em frente a policiais em uniforme de camuflagem. O porta-voz da polícia, Alexei Shapkin, afirmou que seria averiguado se algum deles estava envolvido em algum crime.

Na noite de domingo, um mercado de vegetais havia sido invadido por baderneiros que protestavam contra o esfaqueamento de um russo, informou Shapkin. Moradores atribuem o crime a um imigrante do Cáucaso e se manifestaram em Biryulyovo para exigir que a polícia prenda o assassino de Yegor Shcherbakov, 25 anos, e adote medidas para prevenir crimes cometidos por imigrantes.

Segundo Shapkin, a polícia encontrou num depósito um carro com três pistolas de ar comprimido, duas facas e um bastão de beisebol.

Durante as manifestações de domingo, convocadas por grupos nacionalistas, uma multidão destruiu lojas e barracas, entrou em confronto com a polícia e invadiu o mercado de vegetais, na maior onda de violência anti-imigrantes em Moscou em três anos. Ao tentar conter a violência, a polícia prendeu ao menos 380 pessoas.

Várias pessoas, entre elas policiais, ficaram feridas nos distúrbios, que puseram em destaque a persistente tensão entre russos e pessoas originárias do Cáucaso e Ásia Central.

O trabalho dos imigrantes tem sido essencial na transformação da Rússia durante o boom econômico propiciado pelo petróleo, iniciado quase na mesma época que o presidente Vladimir Putin chegou ao poder, em 2000. Mas parte da população se ressente do influxo de imigrantes de áreas muçulmanas no norte do Cáucaso e de ex-Estados soviéticos, embora a maioria tenha empregos mal remunerados, que poucos residentes de Moscou aceitam./ REUTERS

Tudo o que sabemos sobre:
Rússia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.