AFP PHOTO / Josep LAGO
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Após divisão entre políticos catalães, líder regional cancela pronunciamento

Fontes próximas à coalizão que governa a região haviam garantido que ele poderia anunciar a convocação de eleições e optar por não declarar a independência

O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2017 | 11h40

BARCELONA - O líder catalão, Carles Puigdemont, cancelou o pronunciamento que faria nesta quinta-feira, 26, na Generalitat (sede do poder da Catalunha). Fontes próximas da coalizão Junts Pel Sí, que governa a região, haviam garantido mais cedo que ele poderia anunciar a convocação de eleições e optar por não declarar a independência, segundo o jornal El País. Ele deve seguir para o Parlamento catalão às 13h (em Brasília), onde poderá explicar a situação.

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A decisão teria causado uma crise na política regional e alguns deputados chegaram a se referir a Puigdemont como traidor. Muitos deles foram ao Twitter declarar que não estavam de acordo com o posicionamento do líder catalão.

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Antoni Castellà, líder do Democratas - partido minoritário dentro do Junts Pel Sí -, disse ser contra a convocação de novas eleições e isso era uma “decepção”. O prefeito de Molins de Rei e deputado pela mesma coalizão, Joan Ramon Casals, rejeitou a proposta. “Não compartilho da decisão (...). É um erro.”

O prefeito de La Seu d'Urgell, Albert Batalla, afirmou que além de não compartilhar da decisão, estava renunciando ao seu cargo. O deputado Jordi Cuminal seguiu o mesmo caminho, anunciou sua renúncia e seu desligamento do Partido Democrata.

De acordo com o El País, a Bolsa preferia que houvesse eleições na Catalunha. O Ibex 35, principal índice do mercado espanhol, registrava perdas na parte da manhã, mas conforme a divulgação das informações sobre a possível decisão de convocar uma votação, ele apresentou alta e subiu 1,3%.

A região vive uma crise política e não definiu se convocará eleições ou irá ao Parlamento declarar independência, diante da intervenção direta de Madri, medida que ainda será votada no Senado.

A crise mais prolongada da democracia espanhola entrou em sua fase decisiva. O governo liderado por Puigdemont manteve uma nova rodada de negociações junto a seus deputados no Parlamento nesta quinta-feira, segundo confirmou uma fonte do governo regional à agência de notícias France-Presse.

“Puigdemont está recebendo muita pressão de um setor do PdeCat (partido de Puigdemont) para convocar novas eleições”, explicou a fonte, que pediu anonimato. “Acreditam que assim poderão iniciar negociações com o Estado, mas ele aplicará o Artigo 155 da mesma forma. Voltaram a ser enganados.”

O Artigo 155 da Constituição espanhola, solicitado pelo presidente conservador, Mariano Rajoy, ao Senado, permite suspender a autonomia de uma região diante do risco de danos à unidade do país.

Puigdemont e seus sócios, incluindo associações civis poderosas, mantiveram sete horas ininterruptas de reuniões até esta madrugada.

Manifestações

Milhares de estudantes estavam reunidos em Barcelona em apoio à proclamação da independência da Catalunha e em rejeição a uma possível intervenção na autonomia regional pelo governo central espanhol.

Com cravos vermelhos e bandeiras da independência amarradas ao pescoço, os manifestantes marchavam pelas ruas do centro da capital catalã. "Eles não podem prender um povo inteiro. Não à repressão franquista", lia-se em uma das faixas, enquanto os alunos gritavam "Fora forças de ocupação!".

"Estamos aqui para defender as instituições catalãs. O governo espanhol quer aplicar o Artigo 155 que desabilita o governo catalão", explicou Pol Moratalla, de 18 anos. "Queremos tanto a independência. Continuaremos protestando e reivindicando nossos direitos", disse Judith Campos, de 19 anos.

O movimento Universidade pela República e o sindicato dos estudantes convocaram um dia de greve nas universidades nas quatro principais cidades da Catalunha - Barcelona, ​​Girona, Lérida e Tarragona - para protestar contra o Artigo 155.

O Senado decidirá na sexta-feira se autoriza a aplicação do artigo solicitado por Madri, uma medida nunca usada em quatro décadas de democracia na Espanha. Por meio desse recurso, Rajoy quer destituir o governo catalão e limitar os poderes do Parlamento regional, entre outras medidas, até convocar eleições regionais em seis meses. / AFP, REUTERS e EFE

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