Após eleição de premiê, juízes são libertados no Paquistão

Gilani exige que legisladores suspensos sejam liberados de prisão domiciliar após vencer pleito parlamentar

Associated Press e Reuters,

24 de março de 2008 | 13h16

Todos os juízes suspensos no ano passado pelo presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, foram liberados do regime de prisão domiciliar nesta segunda-feira, 24, afirmou Amir Ahmed Ali, vice-prefeito de Islamabad, em declaração divulgada pela agência estatal de notícias. "Todos os juízes depostos estão livres", assegurou Ahmed Ali horas depois de o recém-eleito primeiro-ministro Yousaf Raza Gilani ter dito ao Parlamento que queria todos os juízes libertados imediatamente. Veja também:Partidário de Benazir é o novo premiêA trajetória de Benazir  A ordem do primeiro-ministro foi implementada e todos os ministros depostos estão livres para ir e vir", prosseguiu o vice-prefeito. Em novembro do ano passado, Musharraf suspendeu 60 magistrados considerados independentes e os substituiu por juízes escolhidos a dedo para impedir que sua tentativa de reeleição fosse alvo de ações na justiça. A Assembléia Nacional do Paquistão elegeu Gilani como primeiro-ministro nesta segunda, um dos líderes do partido da ex-primeira-ministra assassinada Benazir Bhutto, cinco semanas após a vitória da legenda nas eleições gerais do país. O novo premiê pediu ainda que o Parlamento vote uma resolução solicitando que a Organização das Nações Unidas (ONU) investigue o assassinato de Bhutto, no dia 27 de dezembro, em um ataque atribuído a militantes islâmicos e realizado com armas de fogo e bombas. Gilani recebeu 264 votos na câmara baixa do Parlamento, composta por 342 integrantes, afirmou o presidente da Assembléia Nacional. O único outro concorrente, Chaudhry Pervez Elahi, da Liga Muçulmana Paquistanesa, aliada de Musharraf, recebeu 42 votos. A notícia da eleição de Gilani foi comemorada por palmas e gritos de "longa vida a Bhutto" de simpatizantes que estavam na galeria reservada aos visitantes. Bilawal Bhutto Zardari, filho da ex-primeira-ministra, encontrava-se também na galeria e foi visto enxugando uma lágrima. "É por causa do martírio de Benazir Bhutto que a democracia está sendo restabelecida. Este é um acontecimento histórico", afirmou Gilani à Assembléia Nacional, pouco depois de ter sido anunciada sua eleição.Previa-se que Gilani, um aliado fiel de Bhutto ex-presidente da Assembléia Nacional, venceria a eleição com uma margem folgada de votos. O candidato recebeu o apoio de membros do Partido do Povo Paquistanês (PPP, de Bhutto), de partidos da coalizão liderada por essa legenda, entre os quais o do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, que ficou em segundo lugar na eleição de 18 de fevereiro, e de um pequeno partido regional pró-Musharraf. Houve especulações de que o PPP talvez apontasse um primeiro-ministro interino a fim de permitir que o viúvo de Bhutto, Asif Ali Zardari, que hoje comanda a legenda, assumisse o cargo após ingressar no Parlamento através de uma eleição complementar. Mas autoridades do partido negaram tais boatos e afirmaram que Gilani ficaria no cargo de primeiro-ministro durante os cinco anos do mandato dele.

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