Após eleições, Bush quer manter aliança entre Paquistão e EUA

Presidente Bush diz que pleito foi 'vitória do povo'; presidente Musharraf afirma que não pretende renunciar

Agências internacionais,

20 de fevereiro de 2008 | 09h18

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou nesta quarta-feira, 20, que as eleições no Paquistão foram "uma vitória para o povo" paquistanês e acrescentou que confia em que as novas autoridades manterão a atual amizade entre os dois países. "A questão é se (o novo governo) será amigo dos EUA, e eu espero que sim", afirmou Bush em entrevista coletiva concedida em Acra, na penúltima etapa de sua viagem por cinco países da África. Bush disse que as eleições do Paquistão foram "justas" e expressou sua confiança em que as novas autoridades não permitam que o país seja "um refúgio seguro para os que desejam atacar os EUA e o Paquistão". O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, descartou a possibilidade de renunciar a seu cargo, apesar da derrota sofrida por seu partido, Liga Muçulmana do Paquistão-Quaid (PML-Q). Ele ainda defendeu a formação de uma coalizão de governo "harmoniosa" e a direção pacícia da administração, pelo bem do progresso no país, segundo um comunidade do Ministério de Relações Exteriores Divulgado nesta quarta-feira. O porta-voz de Musharraf, Rashid Qureshi, disse que o presidente pretende trabalhar com o novo governo e cumprir seu mandato até 2012. "O povo não votou na segunda-feira para eleger um novo presidente," argumentou. "Na verdade, eles participaram de uma eleição para um novo Parlamento". O novo governo, que deve tomar posse em meados de março, terá de enfrentar formidáveis desafios, como a ameaça de extremistas islâmicos. Aliança opositora Os resultados finais das eleições de segunda-feira só devem ser anunciados na noite desta quarta-feira, mas com a contagem quase concluída, dois partidos de oposição haviam conquistado número suficiente de cadeiras para formar um novo governo, apesar de que eles provavelmente não obterão os dois terços necessários para aprovar o impeachment do presidente. Até agora, o Partido Popular do Paquistão (PPP), da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, assassinada em dezembro, e a Liga Muçulmana do Paquistão-N (Liga-N), do ex-premiê Nawaz Sharif, estavam com 153 das 268 cadeiras em disputa na Assembléia Nacional. O PPP obteve 87 e a Liga-N, 66, segundo resultados parciais. O partido pró-Musharraf Liga Muçulmana do Paquistão-Q (Liga-Q) estava com apenas 38 cadeiras. O viúvo de Benazir e co-presidente do PPP, Asif Ali Zardari, afirmou que na coalizão de governo não haverá lugar para o partido de Musharraf. "A decisão do partido é a de que não estamos interessados em nenhum dos que participaram do último governo", disse Zardari em uma entrevista coletiva em Islamabad. Zardari, que assumiu a chefia do PPP após a morte de Benazir em um atentado a tiros e bomba durante um comício em Rawalpindi, disse que tentará convencer Sharif - deposto por Musharraf em um golpe de Estado, em 1999 - a entrar para a coalizão. Sharif, por sua vez, afirmou em uma entrevista em Lahore que Musharraf deve aceitar que a população não o quer mais no poder. A oposição diz que a reeleição de Musharraf, em 6 de outubro, foi inconstitucional, pois ele ainda não havia deixado a chefia das Forças Armadas. Musharraf também é acusado de violar a Constituição ao decretar estado de emergência em novembro e destituir vários juízes do Supremo que se preparavam para anunciar se sua reeleição tinha sido válida.

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