Kim Hyun-tai/Yonhap/AP
Kim Hyun-tai/Yonhap/AP

Após encontro, enviados das Coreias relatam diálogo 'construtivo e útil'

Representantes da área nuclear dos dois países se reuniram em Pequim nesta quarta

BEN BLANCHARD E JEREMY LAURENCE, REUTERS

21 Setembro 2011 | 09h05

PEQUIM - As rivais Coreias do Sul e do Norte mantiveram nesta quarta-feira, 21, uma segunda rodada de conversações, qualificada de "construtiva e útil" e que prenuncia a retomada do processo multilateral para o desarmamento nuclear norte-coreano.

 

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Os representantes da área nuclear dos dois países se reuniram em Pequim, como já havia ocorrido dois meses atrás, num sinal de degelo nas relações após uma grave crise no ano passado. "Conversamos sobre questões nucleares, e isso é parte do nosso esforço para retomar as negociações a seis partes. Vamos continuar a fazer esses esforços no futuro", disse o sul-coreano Wi Sung-lac a jornalistas, segundo relato da agência de notícias Yonhap, da Coreia do Sul.

Mas não houve solução no impasse a respeito de qual seria o ponto de partida para uma nova rodada do processo multilateral, que envolve também China, EUA, Japão e Rússia.

O norte-coreano Ri Yong-ho ecoou as declarações de Wi, dizendo que o encontro foi "construtivo e útil". Ele insistiu, no entanto, que o processo multilateral deveria ocorrer sem pré-condições. Coreia do Sul e Estados Unidos insistem que a Coreia do Norte deveria de antemão suspender suas atividades nucleares, inclusive seu programa de enriquecimento de urânio, e permitir a presença de inspetores nucleares internacionais no país.

'Começo de um longuíssimo processo'

 

Especialistas dizem que o processo está a caminho de ser retomado, mas que isso só deve ocorrer no ano que vem. "Este é o começo do que deve ser um longuíssimo processo", disse à Reuters um diplomata que trabalha na Coreia do Norte.

As relações entre as duas Coreias chegaram ao seu nível mais baixo em 20 anos depois do rompimento da rodada anterior do diálogo multilateral. A Coreia do Norte desde então testou mísseis de longo alcance e ogivas nucleares, e há dez meses revelou ter um programa de enriquecimento de urânio, que lhe abre um novo caminho para o desenvolvimento de um arsenal atômico, paralelamente ao enriquecimento de plutônio.

No ano passado, o governo sul-coreano também culpou o Norte pelo naufrágio de um navio militar, acusação que os norte-coreanos rejeitam. Meses depois, o recluso Estado comunista realizou um inédito ataque de artilharia contra alvos civis em solo sul-coreano.

Sob pressão de seus principais aliados - EUA e China - para acalmarem as tensões, as duas Coreias esboçaram neste ano passos para retomar o diálogo regional, que tem como objetivo conceder benefícios políticos e econômicos à Coreia do Norte em troca do desarmamento. Em julho, representantes da área nuclear das duas Coreias reuniram-se pela primeira vez em dois anos. Uma semana depois, ocorreu um encontro entre funcionários de primeiro escalão dos EUA e da Coreia do Norte.

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