Após encontros, enviado da ONU deixa Mianmá

Gambari reúne-se com chefe militar e líder pró-democracia; não há detalhes sobre as negociações

Agências internacionais,

02 de outubro de 2007 | 08h48

O enviado especial da ONU para Mianmá (antiga Birmânia), Ibrahim Gambari, reuniu-se novamente nesta terça-feira, 2, em Rangun com a líder do movimento democrático birmanês e Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, pouco antes de deixar o país. O diálogo aconteceu após um encontro com o chefe da junta militar que governa o país, Than Shwe, em uma tentativa de encerrar a sangrenta repressão às maiores manifestações pró-democracia no país em 20 anos.  Veja também:Enviado da ONU se reúne com líder de Mianmá Entenda a crise e o protesto dos monges Dissidentes cibernéticos driblam censura  População apóia protesto dos monges  As informações são de dois diplomatas estrangeiros, que falaram em condição de anonimato. Não foram divulgados detalhes sobre o conteúdo da reunião, cujo objetivo é pôr um fim à crise política iniciada com protestos liderados por monges budistas. Não se sabe, por enquanto, se Gambari conseguiu algum tipo de acordo entre Shwe e Suu Kyi.Após falar com Suu Kyi na residência da opositora, o diplomata nigeriano foi para o aeroporto e deixou o país, sem dar a entrevista coletiva que o governo tinha anunciado. O anúncio governamental tinha surpreendido os jornalistas, porque contrastava com a censura imposta a todas as informações sobre a repressão, as vítimas, as detenções e os maus-tratos ocorridos durante as manifestações."Achamos que pelo menos 30 pessoas morreram e cerca de 1.400 cidadãos foram detidos. É um regime brutal", disse nesta terça o ministro de Assuntos Exteriores australiano, Alexander Downer. A Junta Militar birmanesa só reconheceu a morte de 10 pessoas desde 25 de setembro, quando proibiu as reuniões públicas e decretou o toque de recolher em Rangun e em Mandalay, as duas principais cidades do país.Entre os mortos admitidos pela junta militar está um jornalista japonês, que foi assassinado durante as primeiras reações às manifestações pacíficas, em 26 de setembro, por disparos dos soldados que atiravam contra os manifestantes.O governo do Japão disse que realizará uma nova perícia no corpo do jornalista para comprovar se os disparos foram efetuados à queima-roupa, como afirma a dissidência birmanesa.Tentativa de diálogoGambari chegou no sábado ao país e, no aeroporto, após receber um relatório sobre a situação no país, foi para Naypyidaw - a isolada capital do país. No domingo, o enviado da ONU voltou a Rangun para falar com Suu Kyi, com quem não se encontrava desde novembro de 2006, quando fez a sua última visita ao país.Suu Kyi, que está sob prisão domiciliar desde 2003, se reuniu duas vezes com Gambari durante a visita.  Além de ter se reunido com Than Shwe, o enviado especial da ONU encontrou o primeiro-ministro interino, general Thein Shein, e os titulares da Cultura, comandante-geral Khin Aung Myint, e da Informação, general-de-brigada Kyaw Hsan. Gambari também se reuniu com altos funcionários de Assuntos Exteriores, mas não encontrou o chanceler do país.

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