EFE/ Javier Lizón /J.J. Guillén
EFE/ Javier Lizón /J.J. Guillén

Após escândalo de corrupção, deputados espanhóis debatem moção de censura contra Rajoy

Pedro Sánchez pediu ao chefe do governo da Espanha que renuncie ‘aqui e agora’; se moção for aprovada por ao menos 176 deputados, líder dos socialistas assumirá o cargo

O Estado de S.Paulo

31 Maio 2018 | 09h53
Atualizado 31 Maio 2018 | 12h03

MADRI - Os deputados espanhóis começaram a debater nesta quinta-feira, 31, uma moção de censura apresentada pela oposição socialista que busca destituir o chefe de governo, Mariano Rajoy, enfraquecido pela condenação de seu Partido Popular (PP) em um escândalo de corrupção.

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"Seu mandato à frente da presidência do governo é prejudicial, e é um fardo não apenas para a Espanha, mas para seu partido", disse o líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, que defendeu a moção de censura contra Rajoy. Se ela for aprovada por pelo menos 176 deputados, o levará à chefia de governo. Os cinco deputados do Partido Nacionalista Basco (PNV, na sigla em espanhol) já anunciaram que votarão a favor de Sánchez.

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"Parece que a questão aqui é sobre o Sr. Sanchez entrar. Todo o resto é literatura (...). O importante é que ele assuma o cargo sem passar pelas urnas", recriminou Rajoy. Ele disse ainda que os socialistas do PSOE têm uma visão "interesseira e manipulada" da sentença que condenou o PP. Em seu primeiro discurso no debate, Rajoy insistiu que a sentença não tem "uma só linha de condenação ao governo e ao PP".

Sánchez pediu a Rajoy que renuncie "aqui e agora", por higiene democrática, após a vinculação de sua legenda a vários casos de corrupção. "Renuncie agora e tudo vai acabar. O seu tempo acabou. Renuncie e a moção de censura será encerrada aqui e agora", disse.

Ele advertiu a Rajoy que a renúncia é a "única resposta" que pode ser admitida pela sentença do esquema de corrupção conhecido como “Caso Gürtel”. Sánchez ressaltou que a moção de censura nasce da "incapacidade" de Rajoy de assumir suas responsabilidades políticas após a sentença "devastadora" de Gürtel, que, em outras democracias, levaria à renúncia do governo.

Se ganhar a moção de censura na sexta-feira, Sánchez se comprometeu a presidir um governo que seria "socialista, igualitário, europeísta, fiador da estabilidade orçamentária e econômica, e cumpridor de seus deveres europeus".

Sánchez também garantiu que trabalhará para garantir a estabilidade institucional, econômica, social e territorial, e promoverá o consenso necessário para convocar eleições, mas não mencionou uma data para isso.

A legislatura está em sua metade e acabará em junho de 2020. Para conseguir a Chefia do Executivo, Sánchez deve obter o apoio de vários grupos, já que seu partido tem apenas 84 deputados em uma Câmara de 350.

Esta é a quarta moção de censura desde o retorno à democracia na Espanha em 1977 - as três anteriores fracassaram - e era vista no início desta semana como algo com poucas chances de passar, mas recentemente isso mudou. "As opções de sucesso estão aumentando", confirmou Antonio Barroso, analista do escritório Teneo Intelligence, evocando uma probabilidade de 65%. / AFP e EFE

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