Após escândalos sexuais, papa promete carta à Irlanda

O papa Bento XVI manifestou hoje a esperança de que sua próxima carta aos católicos irlandeses sobre o escândalo de abusos sexuais cometidos por clérigos na Irlanda contribua para um processo de "arrependimento, cura e renovação". Em sua audiência geral semanal no Vaticano, o pontífice anunciou que na sexta-feira firmará uma carta pastoral e, em breve, enviará o texto aos fiéis.

AE-AP, Agencia Estado

17 de março de 2010 | 11h27

Bento XVI admitiu que a Igreja Católica na Irlanda tem sido "duramente sacudida" pela crise, e que ele mesmo estava "profundamente preocupado". O papa convocou os bispos da Irlanda para uma reunião especial no Vaticano, no mês passado, para analisar as consequências da crise. O encontro ocorreu em meio a denúncias de escândalos sexuais similares na Igreja Católica na Alemanha e em outros países da Europa.

Na Irlanda, o cardeal Sean Brady, líder católico no país, comentou hoje que pretende refletir com relação à forma como lidou com o escândalo de abusos, e disse não saber o que o futuro lhe reserva. Os comentários foram feitos durante o sermão do prelado na catedral de Armagh, na Irlanda do Norte, em missa em celebração ao dia de São Patrício.

O cardeal tem sido pressionado a renunciar depois de terem vindo à tona revelações segundo as quais ele conversou com duas vítimas de um notório padre pedófilo 35 anos atrás e não avisou à polícia.

A chanceler alemã, Angela Merkel, tratou hoje das denúncias de abusos de religiosos da Igreja Católica em seu país. Segundo ela, a única forma de tratar a questão é "descobrir tudo que aconteceu". Merkel lembrou que o abuso de menores é "um crime desprezível", notando que o sofrimento das vítimas "nunca pode ser totalmente reparado".

Apenas no Estado da Baviera, de onde o papa é oriundo, mais de cem ex-estudantes católicos denunciaram abusos físicos ou sexuais cometidos por religiosos no passado. Em sua fala, hoje, Bento XVI não mencionou a Alemanha.

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