AFP PHOTO / JUAN BARRETO
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Sem dinheiro no caixa eletrônico, Venezuela lança nota de 20 mil bolívares

Governo evitava lançar notas de maior valor do bolívar e divulgar reais indicadores de inflação no país; dólar paralelo subiu 450% em dois meses

O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2016 | 16h45

CARACAS - O Banco Central da Venezuela (BCV) comunicou neste domingo, 4, que a partir do dia 15 começará a emitir novas notas de bolívares, nos valores de 500, mil,  2 mil, 5 mil, 10 mil e 20 mil bolívares. A medida, há muito tempo esperada pelos venezuelanos, era adiada há meses pelo governo do presidente Nicolás Maduro, que evita divulgar dados sobre a inflação no país, que segundo economistas de consultorias privadas supera os três dígitos. 

A decisão coincide também com a escassez de bilhetes de 100 bolívares em caixas eletrônicos nas principais cidades do país. A nota de maior valor e circulação até então, equivale a apenas dois centavos de dólar no mercado oficial. Nos últimos dois meses, os economistas também registraram um aumento de 450% da moeda venezuelana no mercado paralelo. 

Na sexta-feira, era quase impossível sacar dinheiro nos caixas eletrônicos e cartões de crédito ficaram fora de uso por várias horas. O presidente Nicolás Maduro atribuiu o problema a "máfias hackers que preparam um golpe econômico na Venezuela".   

   

"A direita quer impor na Venezuela um sistema monetário paralelo com base em uma conta em Miami que leva o dólar a níveis  desastrosamente loucos", disse o presidente. 

A Venezuela utiliza um controle cambial desde 2003. Com a crise econômica provocada pela escassez de divisas em dólares, passou a ampliar a emissão de papel-moeda para financiar seu déficit fiscal. A emissão saiu de controle, agravando a inflação e culminou com a escassez de notas de 100 bolívares. Hoje, o país tem dois sistemas de câmbio: um de 10 bolívares por dólar, usado pelo governo, e 663 por dólar, para o resto da economia. O câmbio negro cota o dólar em mais de 4,5 mil bolívares./ AP

 

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