Chris Ison/PA, File via AP
Chris Ison/PA, File via AP

EUA e Reino Unido limitam eletrônicos em voos de países com maioria islâmica

Medida, que abrange tantos empresas aéreas britânicas quanto estrangeiras, impedirá que passageiros de voos provenientes de Turquia, Líbano, Jordânia, Egito, Tunísia e Arábia Saudita embarquem com computadores, telefones e tablets

O Estado de S.Paulo

21 de março de 2017 | 15h25
Atualizado 22 de março de 2017 | 09h10

WASHINGTON - Autoridades americanas e britânicas decidiram proibir passageiros vindos de países islâmicos do Oriente Médio e do Norte da África de viajar para os EUA e o Reino Unido com aparelhos eletrônicos, exceto smartphones. A justificativa dada para a proibição foi o risco de grupos extremistas ocultarem ou detonarem explosivos com esses aparelhos. França e Canadá estudam ações similares. 

O Departamento de Segurança Interna vetou a entrada de notebooks, câmeras, tablets, videogames e livros eletrônicos, entre outros equipamentos, em voos com destino aos Estados Unidos em dez aeroportos de oito países: Turquia, Catar, Emirados Árabes, Arábia Saudita, Kuwait, Jordânia, Egito e Marrocos. 

Autoridades britânicas fizeram o mesmo em viagens com origem em Turquia, Tunísia, Líbano, Jordânia, Egito e Arábia Saudita. A diferença é que no caso do Reino Unido companhias ocidentais serão submetidas às mesmas regras que as árabes e turcas. Nos Estados Unidos, a restrição não vale para empresas americanas que fazem ligação com o Oriente Médio e Norte da África. 

Empresas que fazem essas rotas, entre elas gigantes do setor como Emirates, Etihad, Qatar Airways e Turkish Airlines, têm até sábado para se preparar para a nova regulamentação. A medida também afeta a Saudia, Kuwait Airlines, Royal Maroc Air e EgyptAir. No caso britânico, Tunisair, Middle East Airways, British Airways e EasyJet também terão de se adequar. 

Fontes do governo americano dizem que a nova regulamentação foi adotada em virtude de dados de inteligência indicarem um contínuo interesse de grupos radicais de usar a aviação comercial para esconder explosivos em aparelhos eletrônicos. A medida valerá até 14 de outubro e pode ser prorrogada por mais um ano, dependendo da avaliação das agências de inteligência. 

 

Membros do governo americano não deram detalhes específicos das ameaças, mas citaram o caso de um voo de Mogadiscio, na Somália, para o Djibuti no ano passado, quando uma bomba possivelmente escondida num notebook explodiu a bordo. 

Outras fontes ressaltam o risco de grupos terroristas com base na Síria construírem explosivos escondidos em eletrônicos que dificilmente seriam detectados num procedimento de segurança normal.  “Os serviços de inteligência indicam que os terroristas buscam novos meios de cometer atentados contra o espaço aéreo e camuflar explosivos”, disse uma fonte. 

A medida, vista com ressalvas em parte da comunidade internacional após os decretos de Trump contra a imigração de países de maioria islâmica, foi elogiada por democratas na Comissão de Inteligência na Câmara dos representantes. “Essas medidas são necessárias e proporcionais às ameaças”, disse o deputado Adam Schiff. “Sabemos que terroristas querem abater aeronaves.”

As empresas aéreas prometeram se adequar no prazo previsto. O governo da Turquia criticou o veto e disse que a medida não beneficia os passageiros. “O governo turco já tomou medidas abrangentes para garantir a segurança dos passageiros”, disse o ministro dos Transportes Ahmet Arslan. “Estamos discutindo com nossos colegas americanos como amenizar ou retroceder essa regulamentação.” / AP, AFP E W. POST

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