Após execuções, Hamas oferece aninstia a líderes do Fatah

Ao todo, cerca de dez militantes do Fatah foram executados desde que o Hamas tomou o controle na Faixa de Gaza na noite de quinta-feira, 15

Agencia Estado

19 Junho 2007 | 11h05

O grupo islâmico Hamas garantiu anistia a seus rivais do partido laico Fatah nesta sexta-feira, 15, durante seu primeiro como governo "de fato" na Faixa de Gaza. Apesar do tom reconciliatório de suas lideranças, o grupo foi incapaz de impedir que multidões continuassem a invadir as instalações abandonadas do Fatah. Além disso, dois membros do Fatah foram mortos, um deles atirado do alto de um edifício, no que o Hamas classificou como um episódio de vingança familiar. Apesar da oferta de anistia do Hamas, o presidente palestino e líder do Fatah, Mahmoud Abbas, não parecia disposto a considerar uma parceria renovada com o grupo islâmico. Cumprindo a promessa de dissolver o governo palestino liderado pelo Hamas, o presidente nomeou nesta sexta-feira um substituto para o premiê Ismail Haniyeh. O novo líder do gabinete palestino - que não deve ter influência em Gaza, já que o território está sob comando total do Hamas - é o ministro das Finanças e político independente, Salam Fayyad. Mais cedo nesta sexta-feira, o Hamas anunciou que tinha sob seu comando 10 dos mais importantes líderes do Fatah na faixa costeira, incluindo os comandantes da guarda de elite fiel a Abbas e o chefe da Força Nacional de Segurança. Horas mais tarde, entretanto, o grupo declarou anistia para todos os líderes do Fatah, e muitos foram libertados imediatamente. Segundo porta-voz do Hamas Abu Obeideh, o grupo irá "oferecer anisitia" a todos aqueles com opiniões diferentes. "Nossa batalha não é contra o Fatah. Nós protegemos os direitos do nosso povo, independentemente de sua afiliação", disse ele. Ainda assim, dois membros do partido laico foram assassinados, em aparentes casos de vingança. Além do membro do Fatah arremessado do alto de um edifício, outro foi assassinado com tiros no sul de Gaza em confrontos com atiradores do Hamas. Ao todo, cerca de dez militantes do Fatah foram executados desde que o Hamas tomou o controle na Faixa de Gaza na noite de quinta-feira, 15, disseram fontes do Fatah. Entre os mortos está Samih Madhoun, o líder de uma temida milícia do Fatah. Madhoun foi capturado por membros do Hamas em um bloqueio de estrada, e o Hamas colocou fotos de seu corpo ensangüentado em seu site na internet. Sinais conciliatórios Ainda assim, o Hamas procurou enviar sinais conciliatórios. Durante uma entrevista coletiva, Obeideh pediu pela imediata liberação do correspondente da BBC em Gaza, Alan Johnston, seqüestrado em março. "Ele é um convidado do povo palestino", disse. A conquista de Gaza após cinco dias de intensas batalhas formalizou a separação política entre a faixa costeira e os territórios palestinos na Cisjordânia, cada um em uma extremidade de Israel. O governo moderado que Abbas deve nomear não terá voz em Gaza, mas representa uma chance renovada de uma retomada das ajudas financeiras na Cisjordânia. Desde que o Hamas venceu as eleições parlamentares palestinas em janeiro de 2006, a comunidade internacional e Israel cancelaram o repasse de verbas para os palestinos, sob a alegação de que o grupo tinha motivações terroristas. Em março, o Fatah e o Hamas tentaram reverter o caos instaurado nos territórios através da criação de um gabinete de união. A situação, entretanto, permaneceu a mesma, e as tensões entre os dois grupos atingiu seu auge nos últimos dias, quando o Hamas empreendeu uma campanha para conquistar todos os centros de comando militar do Fatah na Faixa de Gaza.

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