Abedin Tarhekenare / EFE
Abedin Tarhekenare / EFE

Após falar com Obama, Rohani é alvo de ovos ao desembarcar em Teerã

28 de setembro de 2013 | 11h07

TEERÃ - Ao desembarcar ontem em Teerã vindo de Nova York, o presidente Hassan Rohani foi alvo de ovos e mesmo de um sapato lançados em protesto contra a conversa telefônica de 15 minutos que ele manteve na sexta-feira com seu colega americano, Barack Obama. O telefonema foi o primeiro contato direto entre presidentes dos EUA e do Irã desde 1979.

Rohani deixou o aeroporto de Teerã acenando a partidários, de pé e com o teto solar de sua limusine aberto. Centenas de pessoas faziam festa para o líder reformista.

Logo em seguida, porém, um grupo de manifestantes começou a atirar ovos no presidente, obrigando os seguranças de Rohani a abrir um guarda-chuva para lhe proteger. Um sapato também foi jogado em direção ao líder – um sinal ofensivo no mundo muçulmano, onde calçados são vistos como objetos impuros.

O grupo de simpatizantes do presidente gritava "Vida longa a Rohani, um homem de mudança", enquanto radicais, em menor número, cantavam "nosso povo está desperto e odeia a América". Aparentemente, os dois lados trocaram agressões, mas não há registro de feridos. Seguranças, em seguida, colocaram Rohani de volta dentro do veículo, que, ao partir em velocidade, quase atropelou um manifestante.

A recepção do novo presidente iraniano é mais um sinal de como uma possível mudança nos termos da relação com os EUA é tema que provoca divisões profundas dentro da república islâmica. Rohani evitou se encontrar pessoalmente com Obama à margem da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. Mas, antes de tomar o avião de volta a Teerã, teve uma histórica conversa de 15 minutos com o líder de um país conhecido entre iranianos como "o grande Satã".

O chanceler do Irã, Mohamad Javad Zarif, teve também uma reunião com o secretário de Estado dos EUA, John Kerry. Os dois foram encarregados por Obama e Rohani de conduzirem as negociações nucleares e deverão se encontrar no mês que vem em Genebra, tentando alcançar um acordo definitivo sobre o tema. / NYT

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