Andre Catueira / Efe
Andre Catueira / Efe

Após fim de acordo de paz, rebeldes atacam delegacia em Moçambique

Duas décadas depois do fim da guerra civil, Renamo declarou nulo o armistício

O Estado de S. Paulo,

22 de outubro de 2013 | 10h16

Os ex-rebeldes da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) atacaram uma delegacia de polícia nesta terça-feira, 22, na cidade de Maringue, no centro do país. A ofensiva ocorre um dia depois de a guerrilha anunciar o abandono a um armistício de 1992 que colocou fim à guerra civil no país.

"Homens armados atacaram a delegacia, mas não houve mortos porque os policiais fugiram", disse o prefeito de Maringue , Anton Absalão à agência France Presse. A cidade fica a 35 km de uma base da Renamo, atacada ontem por forças do governo.

" A situação aqui é horrível", disse o professor Romão Martins, que mora em Maringue, à agência francesa. "Nas primeiras horas da manhã, homens armados, que cremos que sejam da Renamo, atacaram. Foi um caos. Durante uma hora, ouvimos tiros em todas as direções e as pessoas fugiram de suas casas."

O porta-voz da Renamo, Fernando Mazanga reconheceu que membros do grupo participaram do ataque, mas o atribuiu a uma reação espontânea ao ataque do Exército, uma vez que não houve ordem do comando para uma ofensivo. "O presidente da Renamo perdeu o controle da situação e não se pode criticá-lo pelo que está ocorrendo", disse Mazanga à France Presse. "A guerrilha está disseminada."

A Renamo abandonou as armas e entrou para a política por meio do tratado de paz que colocou fim à brutal guerra civil moçambicana (1975-1992. Hoje, o movimento tem 51 deputados no Parlamento, dominado pela Frente Para Libertação de Moçambique (Frelimo).

O ataque do Exército à base do Renamo buscava prendero líder do grupo, Afonso Dhlakama. Há relatos desencontrados sobre seu paradeiro. Não se sabe se ele está preso ou foragido.Na semana passada, sete soldados do governo morreram numa emboscada. "A paz acabou em Moçambique e a responsabilidade é do governo do Frelimo", acrescentou o porta-voz. / REUTERS

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