Aleppo 24 news via AP
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Após fim de cessar-fogo, ataques aéreos voltam a atingir a Síria

Moradores da cidade de Alepo passaram a noite trancados em seus apartamentos; EUA culparam russos pelos atentados e afirmaram que vão repensar se continuam colaborando com o governo russo

O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2016 | 10h08

BEIRUTE - Os combates e os ataques aéreos foram retomados na madrugada desta terça-feira, 20, nas principais frentes de combate da guerra na Síria, após o fim da trégua algumas horas antes. Em Alepo, segunda maior cidade do país, dividida entre os bairros rebeldes e pró-regime, as áreas insurgentes foram alvos de bombardeios.

Moradores passaram a noite trancados em seus apartamentos. Fortes detonações eram ouvidas de forma intermitente durante a manhã na cidade.

Também aconteceram combates na Guta oriental, um reduto rebelde ao leste de Damasco, onde o Exército sírio havia anunciado uma vasta ofensiva na segunda-feira, horas antes de decretar o fim do cessar-fogo. Disparos de artilharia também foram registrados em áreas rebeldes em Talbiseh, no centro do país, segundo o ativista Hasan Abu Nuh.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) informou que pelo menos 36 civis morreram em ataques em Alepo e sua província desde o fim da trégua, além de 12 funcionários do Crescente Vermelho e motoristas de caminhão que tentavam transportar ajuda humanitária à cidade.

A ONG não soube informar a nacionalidade dos aviões que executaram o ataque. Nenhum grupo rebelde sírio dispõe de força aérea.

A ONU informou que o bombardeio atingiu pelo menos 18 caminhões de ajuda humanitária que integravam um comboio de 31 veículos que forneciam ajuda a 78 mil pessoas em Urum al-Kubra.

Trégua. O cessar-fogo entre o Exército e os rebeldes na Síria só poderá ser retomado se os "terroristas" interromperem os ataques contra as posições das forças do regime de Bashar Assad, afirmou nesta terça-feira o Kremlin.

"As condições são muito simples: devem cessar os disparos, os terroristas devem parar de atacar o Exército sírio. E depois, seria bom que nossos colegas americanos não bombardeassem mais por engano os sírios", disse o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov. Ele indicou que o Exército russo investiga as "informações" sobre o bombardeio contra o comboio humanitário da ONU.

Na segunda-feira, os EUA responsabilizaram a Rússia pelo ataque e afirmaram que "repensarão" se irão continuar cooperando com o governo russo, que segundo sua opinião, deve demonstrar "rapidamente" se ainda está comprometido com o acordo para um cessar-fogo no país árabe.

O governo americano tem certeza que o ataque foi um "bombardeio" executado pelas forças russas ou pelo regime sírio, o que "coloca muitas dúvidas sobre se os russos podem cumprir sua parte" no frágil acordo negociado entre as duas potências, disse a jornalistas um alto funcionário americano.

Veja abaixo: Tiros na Síria interrompem fala de general russo

"Temos claros indícios, não apenas os EUA, mas também a ONU e a Cruz Vermelha, que isto foi um ataque aéreo", afirmou o funcionário, que pediu o anonimato, em conferência de imprensa por telefone. "Por enquanto não sabemos se o ataque foi dos russos ou do regime (de Assad). Em qualquer caso, os russos têm a responsabilidade de não fazer esse tipo de ataque e de evitar que o regime sírio faça", ressaltou a fonte.

A Coalizão Nacional Síria (CNFROS), principal aliança política de oposição no país, atribuiu à Rússia a responsabilidade pelo ataque ocorrido contra o comboio de ajuda humanitária em Alepo. A CNFROS condenou o "crime atroz" e atribuiu "à parte russa a responsabilidade direta e completa" do mesmo, em um comunicado.

Além disso, a Coalizão também culpou Moscou pelo fim do cessar-fogo e das operações humanitárias na Síria, assim como de todas as violações ocorridas durante a trégua, e se queixou da "incapacidade" da comunidade internacional de assumir responsabilidades sobre uma guerra que já dura mais de cinco anos. / REUTERS, EFE e AFP

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