Sputnik/Alexei Nikolsky/Kremlin via REUTERS
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Após fracasso com Trump, Kim ressalta 'vínculos históricos' com a Rússia

Em primeira reunião de cúpula com o líder norte-coreano, realizada em Vladivostok, no extremo oriente do país, presidente russo defende um diálogo com Pyongyang com base em um plano definido por China e Rússia

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2019 | 10h52

VLADIVOSTOK - Em pleno bloqueio diplomático com Washington, o líder norte-coreano Kim Jong-un buscou nesta quinta-feira, 25, o apoio do presidente russo Vladimir Putin, que pediu ao fim da primeira reunião de cúpula entre ambos que o mundo renuncie à lei do mais forte para resolver a crise nuclear.

Dois meses depois do grande fracasso do segundo encontro com o presidente americano, Donald Trump, em Hanói, o norte-coreano afirmou que teve um "momento muito bom" com o presidente russo em Vladivostok, no extremo oriente do país, e declarou que deseja reavivar os "vínculos históricos" entre Rússia e Coreia do Norte.

"Estou contente com o resultado: Kim Jong-un é alguém bastante aberto, disposto a falar de tudo", afirmou Putin ao final da reunião, a primeira deste nível desde a de 2011 entre o ex-presidente Dmitri Medvedev e Kim Jong-il.

Recebido por Putin com uma pouco habitual pontualidade e um longo aperto de mãos, Kim passou quase cinco horas em território russo: duas horas de reunião frente a frente, seguidas de conversas entre delegações e depois por um jantar que incluiu borsch, salada de caranguejo e Ravioli siberiano de carne de rena.  O presidente da Rússia recebeu uma espada de presente, de acordo com a agência TASS.

"Restaurar o direito internacional"

Apesar dos repetidos convites a Kim, a Rússia permaneceu até agora afastada da espetacular distensão observada na península da Coreia desde o início de 2018.

Porém, dois meses após o fiasco de Hanói, o líder norte-coreano busca apoios na disputa com Washington e um certo reequilíbrio de suas relações entre China, seu principal aliado, e Rússia, velho aliado durante a Guerra Fria. Foi a ex-União Soviética que colocou no poder o avô de Kim e fundador da República Popular Democrática da Coreia (RPDC), Kim Il-sung.

Após a reunião na ilha de Russki, diante do porto de Vladivostok, onde o dirigente norte-coreano chegou na quarta-feira após uma viagem de 10 horas em seu trem blindado, Putin afirmou que é favorável como os Estados Unidos a uma "desnuclearização total" e considerou "possível" uma solução, desde que a Coreia do Norte receba "garantias sobre sua segurança e a preservação de sua soberania".

"Precisamos restaurar o poder do direito internacional, voltar ao estado em que o direito internacional, e não a lei do mais forte, determina a situação no mundo", disse. Putin destacou que pretende discutir com Washington sobre o que conversou com Kim Jong-un. "Aqui não há segredos, não há conspirações. O próprio presidente Kim nos pediu para informar o lado americano sobre nossa posição", disse.

Moscou defende um diálogo com Pyongyang com base em um plano definido por China e Rússia. O país já solicitou a retirada das sanções internacionais, enquanto o governo dos Estados Unidos acusou o Kremlin de ajudar a Coreia do Norte a evitar as punições.

Diálogo difícil

Após anos de aumento da tensão, em consequência dos programas nuclear e balístico de Pyongyang, Kim se reuniu em quatro ocasiões desde março de 2018 com o presidente chinês, Xi Jinping, três com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, e duas com Trump.

Em Hanói, a Coreia do Norte tentou conseguir uma redução das sanções internacionais aplicadas para obrigar o país a renunciar a suas armas atômicas. Mas as discussões terminaram antes do previsto em consequência das profundas divergências com Washington, sobretudo pelas concessões que Pyongyang estava disposta a fazer.

O regime norte-coreano fez na semana passada críticas pesadas a Mike Pompeo, o secretário de Estado americano, e pediu que não participe mais nas negociações sobre a questão nuclear. Pompeo, em uma entrevista na quarta-feira ao canal CBS, expressou prudência sobre a continuidade do diálogo: "Vai ser agitado. Vai ser difícil".

A relação entre Pyongyang e Moscou teve início no período soviético. A URSS forneceu apoio crucial a Kim Il-sung durante a Guerra Fria, mas as relações avançaram de maneira irregular, em particular porque o fundador da RDPC era um mestre na arte de jogar com a rivalidade entre chineses e soviéticos para obter concessões dos dois lados.

Pouco depois de sua primeira eleição como presidente da Rússia, Vladimir Putin tentou normalizar as relações e se reuniu em três ocasiões com Kim Jong-il, pai e antecessor do atual líder. O primeiro encontro aconteceu em Pyongyang em 2000, o que fez de Putin o primeiro governante russo a viajar à Coreia do Norte. / AFP

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