REUTERS/Andres Martinez Casares
REUTERS/Andres Martinez Casares

Após furacão Matthew, surto de cólera aterroriza o Haiti

Organização Mundial da Saúde já identificou 200 casos; doença é causada por água e alimentos contaminados

O Estado de S.Paulo

12 Outubro 2016 | 20h23

Oito dia depois da passagem do furacão Matthew pelo Haiti, o país caribenho segue contando seus mortos, calculando o prejuízo e, agora, enfrenta uma nova preocupação: o surto de cólera. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, ao menos 200 casos suspeitos da doença já foram identificados no sudoeste do país, desde a chegada da tempestade.

Há seis anos, após o terremoto que deixou mais de 300 mil mortos, um surto da doença matou cerca de 9 mil pessoas no Haiti, um dos países mais pobres do planeta e praticamente sem saneamento básico. A cólera causa forte diarreia e é contraída por água ou comida contaminadas por uma bactéria. 

O furacão de categoria 4 atingiu o Haiti em 4 de outubro, deixando ao menos 473 mortos, de acordo com os números oficiais - e o rastro de destruição criou perfeitas condições para espalhar a doença, como a contaminação de rios e poços. Além disso, muitas das pessoas que perderam suas casas agora estão dividindo cômodos com outras famílias e amigos - e essa proximidade, somada à falta de condições sanitárias, aumenta a chance de transmissão. 

"Nós temos que agir muito rápido para conter isso, senão vai ficar fora de controle", disse o médico Unni Krishnan, diretor da unidade do Haiti da organização 'Save the Children'. Na cidade de Les Cayes, uma das mais atingidas pelo furacão, o centro para tratamento de cólera já não dá conta da demanda. O filho de 10 meses do comerciante Sonette Crownal  é um dos que já apresenta sintomas da doença. "Quando eu vi, eu já sabia o que estava acontecendo e fiquei assustado", falou com o filho nos braços e sentado no chão, enquanto aguardava com mais 20 pessoas o atendimento.

A organização Médicos Sem Fronteiras abriu um centro de tratamento de cólera em Port-a-Piment, na terça-feira, 11. Até então, 87 pacientes já foram atendidos. Paul Brockmann, diretor da missão no Haiti, disse que o período chuvoso em que o país está deixa a situação ainda pior. "O furacão afetou uma população que já tem uma saúde frágil e tem piorado essas condições. Há uma grande quantidade de pessoas no litoral que está em risco", falou.

Além da cólera, a desnutrição também causa preocupação entre os médicos que estão no país, já que barcos usados para pescar e campos de pecuária foram destruídos. Hospitais e clínicas mal-equipadas, além de estradas em péssimas condições, que impedem a busca por ajuda, deixam a situação ainda mais complicada. 

Mortos. A Organização das Nações Unidos afirmou nesta quarta que o número de mortos no Haiti deve aumentar nos próximos dias, mas não deve chegar 1 mil - até agora, foram confirmadas 473. Entretanto, alguns locais não entraram na contagem, porque a ajuda ainda não conseguiu chegar até lá, devido às péssimas condições das estradas. De acordo com o governo, 175 mil pessoas estão alojadas em abrigos.

Estados Unidos. O governo norte-americano suspendeu temporariamente os voos com imigrantes deportados para o Haiti, informou o Secretário de Segurança Nacional, Jeh Johnson. No mês passado, o Departamento de Segurança Nacional anunciou o plano para deportar haitianos recém-chegados ao país.  Até então, mil pessoas já haviam sido enviadas de volta ao Caribe. //ASSOCIATED PRESS E EFE

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