Após ganhar presidência da Câmara, Pelosi perde 1ª batalha

Democratas da Câmara dos Representantes (deputados) dos Estados Unidos escolheram o veterano Steny Hoyer como novo líder da maioria nesta quinta-feira, desprezando a indicação de Nancy Pelosi, recém eleita presidente da Casa por unanimidade. Pelosi irá estrear no cargo em janeiro, quando a nova legislatura assumir. Eleito pelo estado de Maryland e com cargos no Congresso há 25 anos, Hoyer derrotou o deputado John Murtha da Pensilvânia por 149 votos a 86. A escolha do deputado para o segundo cargo mais importante da Câmara aconteceu apenas alguns minutos após a votação que fez de Pelosi a primeira mulher a se tornar presidente da Câmara - e a segunda pessoa na sucessão presidencial. E foi um importante triunfo pessoal para Hoyer. Mais cedo, uma entusiasmada Pelosi declarava: "Fizemos história, e agora faremos progresso para o povo americano", disse ela. Em comentários depois de ser escolhida como presidente, a californiana desejou que após 12 anos na minoria, "nós não nos desviemos pelo dinheiro ou interesses especiais". Pelosi também pediu unidade ao partido, e em seguida demonstrou sua preferência pela indicação de Murtha como líder da maioria. Deputado pela Pensilvânia, Murtha é um legislador poderoso em assuntos de defesa, e ganhou proeminência nacional no ano passado ao pedir um fim para o envolvimento militar dos Estados Unidos no Iraque. Ele e Pelosi são políticos próximos há anos, mas a declaração de apoio da deputada a Murtha na noite de domingo elevou as apostas dentro do partido, que pela primeira vez em 12 anos conseguiu o controle da Câmara. "Eu não tive os votos suficientes, então terei que voltar para a minha pequena subcomissão", disse Murtha após a derrota. O deputado será o líder da poderosa subcomissão de defesa responsável pela guerra do Iraque e orçamento do Pentágono. "Eu estava orgulhosa por dar meu apoio (a Murtha) pois pensei que essa seria a melhor maneira de dar um basta à guerra do Iraque", disse Pelosi após a votação. Relação difícil Pelosi e Hoyer, de 67 anos, mantém uma relação difícil. Ambos concorreram pela disputa da liderança alguns anos atrás. A batalha interna do partido preocupou os democratas, pois rendeu mais visibilidade do que a própria nomeação da presidente. Muitos democratas ficaram consternados com o fato de a briga "familiar" ter se tornado a primeira grande notícia após a vitória nas urnas no último dia 7. Ainda assim, desde o início sabia-se que Murtha seria um candidato problemático, pois há indícios de que ele trocou votos por projetos em seu distrito. Além disso, Murtha é famoso e por sua relação com um escândalo de propinas ocorrido em 1978 - no qual esteve envolvido, mas não foi acusado. No chamado escândalo Abscam, um agente do FBI fingindo ser um xeque árabe a fim de morar nos EUA e buscando oportunidades de investimento ofereceu propina a diversos legisladores. Quando ofereceram a Murtha U$ 50 mil dólares, ele teria dito "Não estou interessado. Não por isso". Um comitê de Ética não encontrou provas contra o deputado.

Agencia Estado,

16 Novembro 2006 | 18h37

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