Após grampos, chefe da Polícia Metropolitana de Londres pede demissão

Sir Paul Stephenson estava envolvido no escândalo das escutas do tabloide 'News of the World'

BBC Brasil, BBC

17 de julho de 2011 | 15h42

O chefe da Polícia Metropolitana de Londres (Scotland Yard), Sir Paul Stephenson, pediu demissão neste domingo. Ele estava envolvido no escândalo das escutas telefônicas do tabloide News of the World, fechado na semana passada. Mais cedo, neste domingo, a ex-executiva-chefe da News International, grupo de mídia que publicava o News of the World, havia sido detida por policiais envolvidos na investigação do caso.

 

Stephenson, o mais graduado oficial de polícia da Grã-Bratanha, disse que não tem conhecimento da extensão da prática de escutas ilegais, e que a sua integridade estava "completamente intacta."

 

O chefe da Scotland Yard foi fortemente criticado por contratar o ex-executivo do News of the World Neil Wallis como consultor de comunicação. Wallis foi questionado pelos policiais que investigam os grampos ilegais. Stephenson afirma que as suas ligações com o jornalista poderiam dificultar as investigações em curso.

 

"Eu tomei esta decisão como consequência da especulação e das acusações em andamento em relação com as ligações da Met (Polícia Metropolitana) com a News International em um nível graduado, e em particular em relação com Neil Wallis", disse Stephenson em um comunicado.

 

"Deixem-me colocar isto claramente, eu e as pessoas que me conhecem sabem que a minha integridade está completamente intacta", acrescentou o ex-chefe da polícia. "Eu posso desejar que nós tivéssemos feito as coisas diferentemente, mas eu não perderei o meu sono devido à minha integridade pessoal", afirmou.

 

Desculpas. No sábado, o dono do conglomerado News Corporation, Rupert Murdoch, pediu desculpas em anúncios publicados em jornais britânicos pelos "graves erros" cometidos pelo News of the World e disse sentir muito por não ter agido mais rapidamente para "resolver as coisas". O News of the World teria interceptado ilegalmente milhares de telefones celulares em busca de notícias exclusivas.

 

Investigações indicam que até 4 mil pessoas podem ter sido grampeadas pelo tabloide, entre políticos, membros da realeza, esportistas, celebridades e familiares de militares mortos na guerra do Afeganistão.

 

Entre as possíveis vítimas das escutas telefônicas também está um dos primos do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto por engano pela polícia britânica em julho de 2005.

 

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