Marcos Brindicci/Reuters
Marcos Brindicci/Reuters

Após greve geral, governo argentino ataca rivais

Aliados de Cristina trocam acusações com sindicalistas que paralisaram Buenos Aires

MARINA GUIMARÃES, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2012 | 02h03

Depois de uma greve geral que paralisou grande parte da Argentina na terça-feira, o país voltou à normalidade ontem, em meio a uma forte troca de acusações entre a Central-Geral do Trabalho (CGT, opositora) e os porta-vozes do governo da presidente Cristina Kirchner.

Sem reconhecer que o silêncio em Buenos Aires foi tão eloquente quanto o barulhento panelaço do dia 8, o governo mantém a estratégia de tentar amenizar e deslegitimar o protesto por meio de acusações aos líderes sindicais. Buenos Aires concentra mais de um terço da população nacional.

O senador Aníbal Fernández (Frente pela Vitória/FPV) acusou o secretário da CGT, Hugo Moyano, de ser um traidor e o comparou a um sindicalista dos anos 60, Augusto Timoteo Vandor, que propôs um "peronismo sem Perón".

O senador disse que a presidente Cristina "não vai mudar" nada em sua política somente porque "Augusto Timoteo Moyano decidiu fazer uma greve".

Em resposta, Moyano chamou a atenção sobre o trágico fim de Vandor, que foi assassinado. E deixou entrever que poderia apresentar uma denúncia contra Fernández por ameaça de morte.

Em entrevista à Rádio Mitre, Moyano foi irônico ao dizer que está preocupado com o "nervosismo" exibido pela presidente em sua primeira reação à greve geral.

"Preocupa-me a atitude da presidente, o nervosismo que demonstrou ontem, quando deveria ter absoluta tranquilidade e ver como resolver o assunto, em lugar de apelar ao confronto e à desqualificação", disse Moyano.

Cristina Kirchner, durante discurso, no início da noite de terça-feira, afirmou que a greve foi uma extorsão política para pressionar e ameaçar o governo.

"Não falamos sobre piquetes, falamos sobre assédio e a ameaça que fazem ao país. Vou aguentar o que tiver de aguentar. Não vão me afastar em razão das ameaças de gangues e bandidos", afirmou a presidente.

Inflação. Dividida, a CGT de Moyano uniu-se à Confederação de Trabalhadores Argentinos (CTA) para reivindicar a eliminação de impostos sobre os salários e aumentos, para fazer frente à elevada inflação.

A CGT reúne em sua maioria sindicatos ligados aos serviços, enquanto a CTA representa os empregados públicos. A greve bloqueou todos os acessos à capital federal e várias rodovias em todo o país, além afetar todos os transportes terrestres e aéreos.

As exportações de grãos também foram paralisadas. Os hospitais públicos só atenderam emergências, enquanto as escolas e as dependências da Justiça permaneceram fechadas.

Desde a morte de Néstor Kirchner, em outubro de 2010, Moyano, um velho aliado, foi isolado pelo governo. A ruptura definitiva ocorreu durante as eleições de outubro de 2011, quando a CGT não conseguiu impor nenhum candidato nas listas oficiais. Esta foi a primeira greve geral nos últimos dez anos e pode marcar o início de um período de forte conflito sindical na Argentina.

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