Fabien Barrau / AFP
Fabien Barrau / AFP

Após incêndio, bombeiros analisam estrutura da Catedral de Notre-Dame

As chamas foram totalmente apagadas, mas ainda há dúvidas quanto à resistência do que restou; procurador de Paris diz autoridades privilegiam a tese de acidente, já que 'nada aponta para um ato voluntário'

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2019 | 06h34
Atualizado 16 de abril de 2019 | 11h51

PARIS - O incêndio que destruiu parte da Catedral de Notre-Dame, em Paris, foi totalmente apagado nesta terça-feira, 16, mas ainda há dúvidas quanto à resistência da estrutura deste símbolo da cultura europeia. Nesta manhã, o porta-voz dos bombeiros da cidade, Gabriel Plus, anunciou que as equipes estão “em fase de perícia”. Doações de empresas e milionários para a reconstrução do local já somam R$ 2,6 bilhões.

O procurador de Paris, Rémy Heitz, afirmou que as autoridades privilegiam a tese de acidente para o incêndio, já que "nada aponta para um ato voluntário". "Cinco empresas trabalham no local. Hoje começaram a prestar depoimento os operários destas empresas. Estão previstos 15", disse Rémy Heitz à imprensa diante da catedral, antes de indicar que a polícia judicial mobilizou quase 50 investigadores para o caso.

Os bombeiros seguiam trabalhando sob os olhares de parisienses e turistas que se aproximavam para ver com seus próprios olhos o estado da catedral, localizada no coração de Paris. Milhões de pessoas em todo o mundo acompanharam horrorizadas a evolução do fogo que ardeu intensamente durante mais de 12 horas. Ele começou na parte superior da estrutura gótica, destruindo parte do telhado.

"A tarefa dos bombeiros de Paris até esta manhã era preservar os dois campanários, Norte e Sul, para assegurar que as torres não fossem prejudicadas." O porta-voz dos bombeiros celebrou a "preservação dos campanários, das duas torres e das obras". A equipe vigia as estruturas, sua movimentação e trabalha para "apagar os focos residuais", completou. Ele também indicou que "parte da abóbada desabou na nave central" e que 100 bombeiros ainda estão mobilizados e permanecerão no local durante o dia.

Plus detalhou um balanço material "dramático": "todo o teto foi atingido, parte da abóbada caiu, a flecha não existe mais". As duas torres emblemáticas permaneceram de pé, assim como a grande rosácea da fachada sul, mas uma porta parcialmente aberta permitiu observar uma pilha de escombros e algumas vigas no chão.

Nesta terça, o secretário de Estado do Interior francês, Laurent Nuñez, indicou que agora é preciso “saber como a estrutura vai resistir”. Ele disse ainda que haverá uma reunião “com especialistas e arquitetos” para tentar determinar “se a estrutura está estável e se os bombeiros podem entrar para seguir com seus trabalhos”.

“Evitaram o pior”, disse na noite de segunda-feira o presidente Emmanuel Macron. “Vamos reconstruí-la.” Restaurar o prédio levará “anos de obras”, estimou o novo presidente da Conferência Episcopal da França, Eric de Moulins-Beaufort.

A Catedral de Notre-Dame, cuja construção começou no século 11, é parte do Patrimônio Mundial da Unesco desde 1991. É o monumento histórico mais visitado da Europa, com entre 12 e 14 milhões de visitantes por ano.

Apoio do papa Francisco

O papa Francisco pediu a "mobilização de todos" para que a Catedral de Notre-Dame possa voltar a ser "a joia arquitetônica de uma memória coletiva". "Saudando a coragem e o trabalho dos bombeiros que intervieram para conter o incêndio, rezo para que a Catedral de Notre-Dame possa voltar a ser, graças ao trabalho de reconstrução e a mobilização de todos, esta bela joia no coração da cidade, sinal da fé daqueles que a edificaram, igreja-mãe da sua diocese, patrimônio arquitetônico e espiritual de Paris, da França e da humanidade", escreveu o pontífice em um telegrama dirigido ao arcebispo de Paris, dom Michel Aupetit.

Em sua mensagem, o papa disse que compartilha a "tristeza" dos fiéis e de "todos os franceses", e assegura sua "proximidade espiritual" e sua oração. "Esta catástrofe danificou seriamente um prédio histórico. Mas estou ciente de que também prejudicou um símbolo nacional caro aos parisienses e aos franceses na diversidade de suas convicções."

Questionado sobre a ajuda que a Santa Sé poderia trazer à reconstrução, o cardeal Gianfranco Ravasi, espécie de ministro da Cultura do Vaticano, explicou que seria principalmente "contribuições técnicas". 

A prefeitura de Paris iniciou uma operação para salvar todas as obras de arte. A Fundação do Patrimônio, organização privada que trabalha para proteger o patrimônio francês, iniciará uma campanha de "arrecadação nacional" para a reconstrução da catedral. As famílias Arnault e Pinault, duas das mais ricas do país, anunciaram a liberação de € 200 e 100 milhões para a reconstrução, respectivamente. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.