Majdi Mohammed/AP
Majdi Mohammed/AP

Após incêndio, Israel prende extremistas judeus sem julgamento

Suspeitos são acusados de propagar a violência contra palestinos; na 6ª, incêndio criminoso de uma casa deixou uma criança morta 

Dan Williams, REUTERS

02 de agosto de 2015 | 17h06

O gabinete de segurança israelense aprovou neste domingo a prisão, sem direito a julgamento, de cidadãos suspeitos de propagar a violência contra palestinos, em uma ofensiva voltada à captura dos responsáveis por um incêndio criminoso letal na Cisjordânia atribuído a extremistas judeus.

A extensão a israelenses da chamada "detenção administrativa", uma prática normalmente aplicada a militantes palestinos suspeitos e condenados internacionalmente, evidencia a frustração das autoridades com as falhas na missão de deter os ataques ultra-nacionalistas judeus.

O incêndio criminoso de uma casa palestina na sexta-feira, que deixou uma criança morta e feriu gravemente seus pais e irmão, ecoou no exterior e fez até com que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu prometesse reprimir o que ele chamou de "terrorismo" por "criminosos em nosso próprio país."

Ninguém assumiu responsabilidade pelo incêndio na vila de Duma, na Cisjordânia ocupada. Mas uma mensagem na parede em que se lia "vingança" em hebreu liga o crime a episódios passados de vandalismo e outros crimes de ódio promovidos por bandos de jovens fanáticos judeus que perseguem árabes, cristãos, ativistas pela paz ou propriedades do exército israelense.

O gabinete de segurança de Netanyahu agora decidiu estender as prisões administrativas aos israelenses, de forma a "dar os passos necessários para trazer os responsáveis à Justiça e prevenir novos ataques no futuro", segundo comunicado divulgado à imprensa. O gabinete classificou o incêndio em Duma de "ataque terrorista sob todos os aspectos".

De acordo com o grupo israelense de direitos humanos B'Tselem, 5.442 palestinos estão atualmente detidos sem direito a julgamento. O dado é do mês de junho.

A "detenção administrativa", que críticos estrangeiros veem como um duro golpe no devido processo legal, praticamente não havia sido aplicada contra cidadãos israelenses.

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