EFE
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Após incerteza, começa negociação ucraniana

Líderes de quatro países iniciaram ontem em Minsk ciclo de conversas para tentar pôr fim à crise no leste da Ucrânia

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2015 | 02h01

As negociações para um acordo de cessar-fogo na Ucrânia entraram pela madrugada de ontem em Minsk, na Bielo-Rússia, sem a certeza de que teriam sucesso. Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, da Ucrânia, Petro Poroshenko, e da França, François Hollande, além da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, buscavam um acordo para tentar estabilizar a situação na região de Donbass, onde o conflito já deixou 5,4 mil mortos.

A cúpula da "última chance", como foi definida por Hollande, tem como primeiro objetivo encerrar as hostilidades entre separatistas das cidades de Donetsk e Luhansk, apoiados pela Rússia, e as tropas oficiais ucranianas, que lutam para reconquistar a soberania na região. Em posição de força, mas ameaçado por novas sanções da União Europeia e pela possibilidade de fornecimento de armas pelos EUA a Kiev, Putin tentava arrancar a autonomia de Donetsk e Luhansk em relação a Kiev.

A reunião, que esteve ameaçada, teve enfim início às 20h30, quando Putin e Poroshenko trocaram um aperto de mãos. Instantes antes, o presidente ucraniano reiterou sua expectativa. "O mundo está esperando para ver se a situação se moverá em direção ao apaziguamento, à retirada de armas, ao cessar-fogo ou à perda de controle."

Segundo fontes diplomáticas em Minsk, as discussões se prolongaram porque o presidente russo questionava os termos de cada um dos artigos do esboço de acordo.

Apesar das dificuldades, a agência russa Ria Novosti informou, no final da noite, que o embaixador da Ucrânia em Minsk, Mikhail Ezhel, acredita que haverá acordo. A declaração foi feita no momento em que os trabalhos do Grupo de Contato (que inclui a Bielo-Rússia e representantes da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa, OSCE) estavam em curso, em paralelo à reunião de cúpula.

Se assinado, o novo Tratado de Minsk substituirá o documento de setembro, que previa um cessar-fogo no leste da Ucrânia, mas acabou fracassando.

Enquanto os líderes se reuniam em Minsk, a violência aumentou no leste da Ucrânia. Ontem, o Exército de Kiev disse que 19 soldados morreram e 78 ficaram feridos em combates com os separatistas - o dia mais mortífero para as tropas do governo em nove meses de guerra civil.

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