Jacob King / Pool / Reuters
Jacob King / Pool / Reuters

Após início da imunização, desafio do Reino Unido agora é distribuir vacinas

Governo começa vacinação de idosos e profissionais de saúde, mas enfrenta obstáculos logísticos para distribuir primeiras 800 mil doses para hospitais pelo país; Margaret Keenan, de 90 anos, é a primeira a ser vacinada

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2020 | 03h00

LONDRES - O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês) começou ontem seu programa de imunização em massa com a vacina da Pfizer-BioNTech, a primeira clinicamente autorizada e totalmente testada para a covid-19. O esforço agora das autoridades britânicas é para distribuir o material para hospitais e centros de vacinação em todo o país.

O processo de envio das vacinas é cuidadoso e feito em um cronograma apertado, já que o material precisa ser usado ou descartado em até cinco dias após o descongelamento. “Estamos fazendo isso com precisão militar e, na verdade, tivemos os militares ajudando em nosso planejamento”, disse Fiona Kinghorn, que supervisionou o lançamento da vacina em Cardiff, País de Gales.

O esforço é um ponto de inflexão na corrida pela vacina e na batalha global para acabar com uma pandemia que matou 1,5 milhão de pessoas no mundo. O rosto que marcou o primeiro dia de vacinação em massa foi de Margaret Keenan, de 90 anos, ex-assistente de uma joalheria. Às 6h31 da manhã, ela arregaçou a manga de sua camiseta para receber a primeira dose – e sua imagem rapidamente se espalhou como símbolo de esperança.

“Eu me sinto muito privilegiada por ser a primeira pessoa vacinada contra a covid-19”, disse Keenan, que mora em Coventry, região central da Inglaterra. “Isso significa que posso finalmente passar um tempo com minha família e amigos no ano-novo, depois de ficar sozinha na maior parte do ano.”

Para os primeiros britânicos vacinados, entre eles médicos e enfermeiras do NHS, o momento é o primeiro vestígio de uma vida pós-pandemia. Além de Keenan, ninguém atraiu tanta atenção quanto William Shakespeare, o segundo a receber uma dose em Coventry – foi preciso que as autoridades confirmassem que ele realmente se chamava Shakespeare, o bastante para inundar as redes sociais de trocadilhos e piadas. 

As primeiras 800 mil doses da vacina da Pfizer-BioNTech chegaram da Bélgica de caminhão, na semana passada, e foram primeiro para os depósitos do governo, antes de seguirem para 50 hospitais espalhados pelo país. Eles administrarão as doses até que o governo trace um plano para aplicá-las em asilos e consultórios médicos. 

A logística é um dos problemas da vacina, que deve ser transportada em temperaturas glaciais antes de serem armazenada por até cinco dias em um freezer normal, de acordo com a Pfizer. No Reino Unido, os primeiros a receber a vacina serão médicos e enfermeiras, idosos com mais de 80 anos e funcionários de casas de repouso.

“É incrível ver a vacina, mas não podemos nos dar ao luxo de relaxar agora”, afirmou ontem o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, ao visitar um hospital em Londres. Tentando acalmar os nervos de um idoso que estava a ponto de ser vacinado, ele sugeriu: “Eu sempre tento pensar em outra coisa – recite uma poesia.”

A senhora Keenan, a primeira vacinada, não demonstrou nenhum medo da agulha. Nicola Sturgeon, a primeira-ministra da Escócia, disse no Twitter que assistir a Keenan receber a injeção lhe deu “um pequeno nó na garganta”. “É um momento marcante, após um ano difícil para todos”, disse Sturgeon.

Quem deu a injeção em Keenan foi May Parsons, enfermeira que nasceu nas Filipinas e trabalha para o NHS há 24 anos. “Os últimos meses foram difíceis para todos nós”, disse. “Mas agora parece que há uma luz no fim do túnel.” 

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