Carlos Barria/Reuters
Carlos Barria/Reuters

Após início fraco, Biden muda tática e foca em Estados com eleitores negros

Ex-vice-presidente dos EUA, que já foi favorito para vencer as primárias democratas, aposta suas fichas em lugares com forte presença da comunidade negra, como Carolina do Sul, para se recuperar de desempenho ruim nas primeiras disputas

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2020 | 05h00

PLYMOUTH, EUA - Após um decepcionante quarto lugar em Iowa, Joe Biden, que até pouco tempo liderava a disputa democrata, reformulou sua equipe de campanha e mudou de estratégia. Já prevendo um novo fracasso nas primárias de terça-feira, 11, em New Hampshire, ele partiu para a Carolina do Sul, que realiza prévias no dia 29, onde ele conta com apoio da comunidade negra, que forma mais de 60% dos eleitores democratas no Estado.

Biden classificou o resultado de Iowa como “um soco no estômago” e fez alterações em sua equipe de campanha, ampliando o papel da estrategista Anita Dunn, veterana da equipe de Barack Obama, o que sugere a adoção de uma estratégia mais agressiva contra seus rivais dentro do partido. “Isto é uma maratona. E estamos apenas começando”, disse o ex-vice-presidente. 

Até o início do ano, a maioria das pesquisas mostrava Biden à frente na disputa entre os democratas – ele matinha até mesmo uma vantagem razoável no confronto direto contra o presidente Donald Trump. Com forte apoio dos eleitores negros, ele já esperava um desempenho ruim em Iowa e New Hampshire, Estados onde quase todos são brancos. Os péssimos resultados, porém, ajudaram a desgastar ainda mais sua imagem.

Em outubro, uma pesquisa da ABC News e do Washington Post chegou a colocá-lo 17 pontos porcentuais à frente de Trump – 56% a 39% das intenções de voto. Então, veio o escândalo da Ucrânia, tema central do processo de impeachment que paralisou o Congresso por quase quatro meses e para o qual Biden foi arrastado pela Casa Branca. 

Sabendo da ameaça que representa Biden, um democrata moderado e popular entre a classe operária e os trabalhadores do Meio-Oeste, que deram a vitória a Trump em 2016, o presidente americano teria pressionado o governo da Ucrânia a lançar uma investigação de corrupção envolvendo o nome de Biden e de seu filho Hunter, que trabalhava em uma empresa ucraniana de energia. 

Desde então, mesmo negando qualquer esquema irregular, o nome de Biden perdeu força. As próximas prévias estão marcadas para Nevada, no dia 21, um Estado em que 30% da população é de origem hispânica e onde a campanha do ex-vice-presidente não demonstra muito entusiasmo – os senadores Bernie Sanders e Elizabeth Warren são muito mais populares entre os latinos. 

“Não importa o que aconteça nos próximos dias, vamos seguir em frente”, afirmou Symone Sanders, uma das principais assessoras de Biden. Por isso, o ex-vice-presidente seguiu na terça-feira direto para a Carolina do Sul, onde ele tem mais chances de vitória. 

Segundo a pesquisa mais recente, da Zogby Analytics, publicada no início do mês, Biden tem 28% das intenções de voto no Estado, seguido de Sanders, com 20%, Warren, com 11%, e Pete Buttigieg, com 7%. 

As primárias da Carolina do Sul também marcam a estreia de Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York, um nome moderado que concorre diretamente pelos mesmos eleitores de Biden. Ele anunciou tardiamente sua candidatura e não conseguiu se inscrever a tempo para as primeiras três disputas. Embora seja considerado um rival difícil no confronto direto contra Trump e possa “roubar” votos de Biden, Bloomberg tem apenas 4% das intenções de voto na Carolina do Sul.

Superterça

O grande momento da temporada de primárias democratas, no entanto, é o dia 3 de março, quando os eleitores de 14 Estados votam na Superterça – incluindo os gigantes Califórnia e Texas. Em boa parte deles, a grande parcela de negros favorece Biden, especialmente no Alabama, Carolina do Norte e Delaware – Estado onde vive Biden.

Em uma única noite, serão alocados 1.357 dos 3.979 delegados – cerca de um terço do total de votos que definirão o candidato na convenção nacional do partido, em Milwaukee, entre os dias 13 e 16 de julho.

Alerta

Na terça-feira, um grupo de ação política ligado a Biden divulgou um memorando em que alerta para a ameaça de candidatos muito à esquerda do partido, como Sanders e Warren, ou inexperientes, como Pete Buttigieg, ex-prefeito de South Bend, enfrentarem o presidente Trump na eleição de novembro. 

“Seria um cenário apocalíptico para os democratas”, disse Larry Rasky, um dos líderes do grupo. “Os democratas não podem chegar à convenção divididos. E a ala do partido ligada a Sanders e Warren já está se preparando para uma guerra contra Bloomberg.” / AP, NYT, WP e REUTERS

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