Ahmad Masood/Reuters/Arquivo
Ahmad Masood/Reuters/Arquivo

Após investigar fraudes, chefe do BC afegão se diz ameaçado e foge

Abdul Qadeer Fitrat foi para os EUA; ele investigava irregularidades em banco ligado à família do presidente

BBC Brasil, BBC

27 de junho de 2011 | 18h12

CABUL - O presidente do Banco Central do Afeganistão, Abdul Qadeer Fitrat, anunciou sua renúncia e fuga aos Estados Unidos nesta segunda-feira, 27, alegando temer por sua vida depois de investigar um suposto escândalo de fraudes em um banco ligado a parentes do presidente do país, Hamid Karzai.

Fitrat, que se refugiou na Virgínia (leste dos EUA), acusou nesta segunda-feira o governo afegão de interferir em suas investigações sobre o Kabul Bank, banco privado que foi à falência no ano passado. A instituição tinha entre seus acionistas parentes e simpatizantes de Karzai, e seu colapso levou a perdas estimadas em US$ 500 milhões.

O colapso do banco é atribuído a fraudes derivadas de esquemas de pirâmide, de empréstimos irregulares e de desvio de dinheiro, segundo as investigações. Fitrat alegou que autoridades de alto escalão do governo estariam bloqueando suas tentativas de identificar os responsáveis pelas fraudes bancárias e de recuperar o dinheiro desviado.

 

'Perigo'

 

"Vinha pressionando pela abertura de um processo legal contra os envolvidos no desfalque de centenas de milhões de dólares, alinhado com a comunidade internacional e para prevenir que isso se repetisse no futuro", disse Fitrat à BBC. "Pedi processos contra indivíduos específicos. Mas não recebi nenhum indicativo de que haja planos para investigá-los."

Há dois meses, ele citou publicamente parlamentares que estariam envolvidos no escândalo. Desde então, alega que vem enfrentando perigo.

Autoridades do governo afegão em Cabul disseram não ter recebido um aviso formal da renúncia de Fitrat e afirmaram que o presidente do Banco Central está entre os investigados pelas fraudes no Kabul Bank.

 

'Reformas'

O episódio ocorre poucos dias depois de o presidente americano, Barack Obama, anunciar um plano para a retirada de militares dos EUA do Afeganistão. Dez mil soldados devem deixar o país asiático até o fim deste ano, e outros 23 mil deverão sair até setembro de 2012.

Os EUA têm no governo de Karzai um aliado incômodo, pelos indícios de corrupção que envolvem a administração afegã. Nesta segunda-feira, Washington declarou que continuará a pressionar por "reformas e fortalecimento" do sistema financeiro afegão, segundo a agência Reuters.

O Departamento de Estado disse que, até esta segunda-feira, não tinha conhecimento de nenhum pedido de asilo feito por Fitrat nos EUA.

 

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