Após Irã notificar AIEA, Brasil volta a refutar sanções

O Ministério das Relações Exteriores aproveitou hoje a entrega da carta do Irã à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para reiterar publicamente a posição contrária do Brasil a novas sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas ao país. As retaliações estão sendo capitaneadas pelos Estados Unidos que, na prática, ignoraram esse acordo.

DENISE CHRISPIM MARIN, Agência Estado

24 Maio 2010 | 18h45

Por meio de nota, o Itamaraty expressou sua esperança de que a notificação do Irã à AIEA contribua para uma "solução negociada". Ou seja, que dispense mais retaliações ao país. "O governo brasileiro manifesta a expectativa de que esse primeiro passo para a implementação da Declaração de Teerã ajude a construir um ambiente de confiança e contribua para uma solução negociada sobre a questão do programa nuclear iraniano", informa a nota.

A Declaração de Teerã diz respeito ao acordo firmado pelo Irã com o Brasil e a Turquia sobre a troca de urânio levemente enriquecido por combustível nuclear. Conforme seus termos, o Irã teria prazo até hoje para enviar uma carta à AIEA, na qual assumiria o compromisso de cumprir o acordo. O temor do Brasil e da Turquia estava em um possível recuo de Teerã, em função do anúncio dos EUA, na semana passada, de que já havia conseguido os votos dos outros quatro membros permanentes do Conselho de Segurança para um projeto de sanções ao Irã.

Hoje, depois de ser informado sobre a entrega da carta pelo Irã à agência nuclear, o chanceler Celso Amorim conversou por telefone com Yukiya Amano, diretor-geral da AIEA. Segundo a assessoria de imprensa do Itamaraty, Amano afirmou a Amorim que enviaria imediatamente a notificação ao Grupo de Viena (EUA, França e Rússia). Assim que esse grupo der seu aval, passará a contar o prazo de 30 dias para que o Irã deposite na Turquia 1.200 quilos de urânio enriquecido a 3,5%. Em um ano, no máximo, o país deverá receber 120 quilos de combustível nuclear.

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