Jaafar Ashtiyeh/AFP
Jaafar Ashtiyeh/AFP

Após Israel arrancar milhares de árvores na Cisjordânia ocupada, palestinos replantam centenas delas

Exército israelense alega ter feito operação em 'área de tiro' onde havia atividades 'agrícolas ilegais'

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2021 | 03h00

CISJORDÂNIA - Palestinos replantaram centenas de árvores em um vale no norte da Cisjordânia ocupada nesta quinta-feira, 28, após a derrubada de milhares delas por uma operação israelense, sob o pretexto de que estavam perto de uma área militar. 

Dezenas de militantes e membros do Ministério da Agricultura palestino preparam a terra para colocar novas plantas no setor Khirbeit Einoun, vale da governadoria de Tubas, constatou um jornalista da Agência France-Presse.

Cerca de 500 árvores foram plantadas e a operação deve continuar nos próximos dias, disse o encarregado do Ministério da Agricultura na região, Jaafar Salahat, citado pela agência oficial palestina Wafa.

O exército israelense destruiu cerca de 10 mil árvores na última quarta-feira, 28, de acordo com as autoridades palestinas, "sob o pretexto de que o setor é uma área militar fechada", contou à Agência France-Presse Moataz Bisharat, um militante palestino contrário a colonização israelense. 

Questionado pela Agência France-Presse, o Escritório de Coordenação de Atividades do Governo de Israel nos Territórios Palestinos (Cogat) indicou que "evacuou" uma "área de tiro" onde havia atividades "agrícolas ilegais".

"Esta operação foi realizada de acordo com os procedimentos das autoridades regionais, de acordo com a legislação aplicável na Judeia e Samaria", acrescentou o Cogat, usando o nome dado por Israel à Cisjordânia. 

A região de Tubas é frequentemente palco de confrontos entre habitantes palestinos, colonos israelenses e o exército de Israel, que destruiu casas consideradas ilegais no local. 

"Estamos aqui para mandar uma mensagem ao ocupante (israelense, NDLR) que está tentando nos expulsar desta terra", afirmou o militante palestino Khairi Hanoun, que frequentemente se manifesta contra a colonização israelense. 

"Essas árvores são nossas raízes, nossa história, nosso patrimônio, nossa identidade", acrescentou. 

Mais de 475 mil israelenses vivem atualmente em colônias, consideradas ilegais pelo direito internacional, na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967, onde vivem 2,8 milhões de palestinos. /AFP

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