AP Photo/Khalid Mohammed
AP Photo/Khalid Mohammed

Após Kirkuk, forças iraquianas querem se posicionar em todo o país

Porta-voz do comando de operações do Exército diz que envio de tropas para regiões antes controladas por curdos ou outras forças não se trata de uma operação militar, mas de um esforço de Bagdá para 'aplicar a lei' em todo o país

O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2017 | 13h11

BAGDÁ - O Exército iraquiano pretende se posicionar em todo o país depois de ter alcançado seus objetivos na Província de Kirkuk, onde retomou dos combatentes da região semiautônoma do Curdistão infraestruturas petroleiras e territórios dos quais haviam se apoderado há três anos.

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"Não se trata de uma operação militar e sim de um reposicionamento das forças em todas as regiões para aplicar a lei", afirmou nesta quarta-feira, 18, o general Yehya Rasul, porta-voz do Comando Conjunto de Operações (JOC, na sigla em inglês).

As forças iraquianas asseguram ter alcançado seus objetivos na região de Kirkuk ao término de uma operação de 48 horas lançada em zonas fora do Curdistão autônomo, tomadas pelos combatentes curdos peshmergas em 2014, durante o caos provocado pela ofensiva dos extremistas do grupo Estado Islâmico (EI).

"O restabelecimento da segurança em setores de Kirkuk terminou, incluindo Debes, Mutaka e os campos petroleiros de Kahbaz, Bay Hassan norte e sul", informou o JOC em comunicado, que não relaciona todos os setores onde as tropas serão posicionadas.

Desde a invasão americana de 2003, os peshmergas se apoderaram progressivamente de 23.000 km2 dos 37.000 km2 que constituem as zonas que os curdos reivindicam do governo central.

Esta ampla faixa que vai da fronteira síria até à do Irã passa pelas províncias de Kirkuk, Nínive, Dyala, Salahedin e Irbil, que fazem parte do Curdistão semiautônomo.

Fim do sonho de independência

O revés mais duro para os curdos foi a perda dos campos de petróleo de Kirkuk, que frustra suas esperanças de fundar um Estado independente separado do Iraque. Até agora, o Curdistão exportava quase 75% da produção petroleira de Kirkuk, apesar da oposição de Bagdá.

O ministro iraquiano do Petróleo, Jabbar Luaibi, pediu à empresa British Petroleum (BP) "que tome o mais rápido possível as medidas necessárias para desenvolver as infraestruturas petroleiras de Kirkuk".

Seu ministério havia assinado um contrato de consultoria com a BP em 2013 para estudar as reservas e encontrar os meios de desenvolver os campos de Baba Gargar, o mais antigo do Iraque e cuja exportação remonta a 1927, e de Havana.

A capacidade do campo de Baba Gargar é de 50.000 barris por dia e o de Havana de 50.000 a 60.000, segundo a companhia pública iraquiana North Oil Company.

Na opinião do geógrafo francês Cyril Roussel, com a perda desses campos, a carteira curda fica dividida ao meio e representa o fim do sonho da autonomia econômica e separatista do Curdistão.

Os dois grandes partidos do Curdistão iraquiano entraram em guerra aberta depois do êxito das tropas iraquianas frente aos peshmergas: vários altos funcionários da União Patriótica Curda (UPC) acusam de roubo o presidente do Curdistão, Massud Barzani.

Já Barzani, expressa seu ressentimento em relação aos dirigentes do UPC  e acusa "algumas pessoas que pertencem ao partido de abrir caminho para este ataque que provocou a retirada dos peshmergas". / AFP

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