EFE/EPA/TOLGA BOZOGLU
EFE/EPA/TOLGA BOZOGLU

Após mais de 265 mortes, Erdogan diz ter superado golpe e prepara repressão

Quase 3 mil soldados teriam sido detidos e o número de feridos era de cerca de 1,6 mil, enquanto grupos de oposição desconfiam de que o governo estaria usando o caso para reforçar seus poderes

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

16 Julho 2016 | 15h56

GENEBRA - Depois de contar os 265 mortos da tentativa de golpe militar da véspera, o governo turco de declarou nesta sexta-feira, 15, o fracasso da rebelião e deu a entender que será implacável na repressão aos que apoiaram o movimento golpista.

Grupos de oposição chegaram a levantar dúvidas sobre o golpe, alertando sobre uma possível manobra do governo do presidente Recep Tayyip Erdogan, já de tendências autoritárias, para ampliar ainda mais seus poderes. Quase 3 mil pessoas foram presas e, depois de uma reunião de emergência, mais de 2,7 mil magistrados foram demitidos por pertencer supostamente a grupos envolvidos com o golpe, além de cinco juízes do supremo tribunal do país. O governo de Ancara acusa o ex-aliado Fethullah Gülen – no exílio autoimposto nos EUA – de ter orquestrado o golpe. Gülen nega.

Após uma noite de caos e violência, as autoridades informaram ter prendido a maior parte dos soldados que participaram da tentativa. Os principais organizadores do golpe teriam sido o general Akin Ozturk, na reserva desde 2015, e o coronel Metin Iyidil.

Umit Dundar, um dos chefes militares do país, informou ontem que pelo menos 104 pessoas envolvidas diretamente na tentativa de golpe foram mortas. Além deles, cerca de 160 civís morreram durante a noite. Mais de 1.600 pessoas – entre partidários e opositores do governo – ficaram feridas.

Para Dundar, depois de quatro tentativas de golpe nos últimos anos por grupos das Forças Armadas, “o capítulo dos golpes militares está fechado”. “As pessoas tomaram as ruas e mostraram seu apoio à democracia. Foi um ato de cooperação entre o governo e o povo. A nação nunca vai esquecer essa traição”, disse, garantindo que os autores do golpe “serão punidos”.

O primeiro-ministro, Binali Yildirim, convocou uma entrevista coletiva para anunciar que o golpe tinha chegado ao fim e agora era apenas “uma mancha negra” na história do país.

Ele também indicou punições severas contra os responsáveis e apontou que seu governo poderia voltar a propor a pena de morte, o que permitiria executar os autores do golpe. Qualificando os golpistas de “terroristas”, ele pediu que a população voltasse a sair às ruas para demonstrar apoio ao governo com bandeiras turcas.

Esse havia sido o quinto golpe em 60 anos na Turquia. Mas o governo rapidamente pediu que a população tomasse as ruas para resistir.

Os militares não abandonaram seus postos e confrontos foram registrados em várias cidades da Turquia. O grupo alegava que estava promovendo o golpe para garantir a democracia e os direitos humanos. Televisões foram ocupadas, telefones desligados e redes sociais suspensas.

Durante a tarde e a noite de sexta-feira, a população saiu às ruas em pânico para buscar estoques de mantimentos de água. Os militares à frente do golpe, tinham decretado um toque de recolher e colocado o país sob lei marcial. Várias explosões foram ouvidas em Ancara e em Istambul. Segundo relatos, helicópteros do Exército fizeram disparos contra quartéis da polícia, que se manteve leal a Erdogan.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.