Após manifestações, presidente da Tunísia diz que pode desistir de reeleição

País africano enfrenta violentos protestos após a demissão do ministro do Interior

Associated Press e EFE,

13 de janeiro de 2011 | 17h45

Conforntos com policiais em Túnis deixaram pelo menos 60 mortos. Foto: Heidi Ben Salem

     

 

 

TÚNIS - O presidente da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, anunciou nesta quinta-feira, 13, que não irá tentar a reeleição em 2014. O anúncio foi feito na televisão após mais um dia de violentos protestos na capital do país, Túnis.

 

Ben Ali, prometeu uma "completa e profunda" mudança em nível político e econômico no país, da qual participem todas as pessoas da sociedade civil e política, inclusive a oposição.

 

Em discurso transmitido pela televisão estatal às 20 horas locais e em uma nova tentativa de interromper os graves protestos que assolam o país, o presidente se comprometeu a criar "uma comissão independente que esclareça todos os últimos eventos".

 

"Esta violência precisa parar porque não é própria da gente, filhos da Tunísia", afirmou Ben Ali, além de insistir que realizará "uma profunda e completa mudança em nível político e econômico".

 

O presidente garantiu que se sente "muito afligido pela violência" que vive o país e "decidiu que é preciso interromper os disparos", em referência ao uso de fogo contra os manifestantes por parte das forças de ordem.

 

"Todos temos que participar das mudanças, os políticos, a sociedade civil e a oposição", disse, além de pedir que "os filhos dos tunisianos voltem à vida normal, já que é um pecado que estejam em suas casas e não estudando".

 

Ben Ali prometeu que os preços dos alimentos básicos, como o açúcar, o leite e "todo o necessário para as famílias", diminuirão.

 

"Formaremos uma comissão independente que esclareça todos os fatos e vamos nos aprofundar nas liberdades, inclusive na de comunicação", afirmou, além de garantir que "não haverá mais problemas com a internet", em referência às dificuldades dos tunisianos para acessar determinadas páginas bloqueadas pelo Governo.

 

O presidente assegurou que será criada uma comissão nacional integrada por todos os políticos para a reforma da Constituição e para que as próximas eleições presidenciais e legislativas previstas para 2014 "sejam pluralistas".

 

"Vamos fazer avançar a democracia e instaurar um pluralismo autêntico", ressaltou Ben Ali, que lamentou "profundamente ter sido mal aconselhado e mal informado" em relação aos fatos das últimas semanas no país.

 

Os distúrbios continuaram nesta quinta-feira na Tunísia, especialmente na capital e em outras regiões como a de Gafsa e a região turística de Hammamet, enquanto as associações de direitos humanos elevaram para 66 o número de mortos desde que começaram os protestos sociais.

 

A violência aumentou após o anúncio da demissão do ministro do Interior, Rafik Belhaj Kacem. O governo de Ben Ali é acusado de corrupção e tido como autoritário pela população e organizações internacionais.

 

O último balanço oficial divulgado pelo Governo tunisiano na terça-feira passada cifrou os mortos em 21, enquanto os sindicatos e os partidos de oposição do país elevaram o número de vítimas fatais para mais de 60.

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