Eitan Abramovich / AFP
Eitan Abramovich / AFP

Após manobra, Cristina Kirchner começa a ser julgada na Argentina

Em um dos 12 processos que enfrenta na Justiça argentina, a ex-presidente é acusada de direcionar contratos de obras públicas ao Grupo Austral, do empresário Lázaro Báez, próximo da família Kirchner

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2019 | 10h43

Após fazer uma manobra política e se colocar como candidata à vice-presidente em uma chapa com seu ex-desafeto Alberto Fernandéz como candidato à presidência, Cristina Fernandéz de Kirchner estará no banco dos reús nesta terça-feira, 21. Será a  primeira vez em que a ex-presidente e atual senadora será julgada por um caso de corrupção. Cristina nega irregularidades e afirma ser alvo de perseguição política. Ela é acusada em 12 processos na Justiça argentina

Os últimos dias foram marcados por forte polêmica, após a Corte Suprema ter pedido na terça-feira ao Tribunal Oral Federal 2 (TOF2), encarregado do julgamento, os dossiês do caso para analisar recursos da defesa da ex-governante. A postura do Supremo gerou dúvidas sobre uma possível suspensão do julgamento, mas a corte manteve o julgamento para esta terça. 

No processo, Cristina é acusada de liderar um esquema de desvio de dinheiro público ao direcionar contratos de obras públicas ao Grupo Austral, propriedade do empresário Lázaro Báez, próximo da família Kirchner. 

Entre 2004 e 2015, durante os governos de Néstor e Cristina, a empresa  recebeu a concessão de 52 obras públicas no valor de US$ 1,15 bilhão em Santa Cruz, na Patagônia, província do sul da Argentina que foi o trampolim da família Kirchner para a política nacional.Segundo a acusação, foram obras superfaturadas e o dinheiro foi embolsado tanto pelos empresários quanto pelos políticos envolvidos, incluindo Cristina. Báez e o ex-ministro do Planejamento Julio de Vido (2003-2015) também são réus no processo. Ambos estão presos. 

O delito teria sido cometido durante seus dois mandatos, entre 2007 e 2015, e o processo também inclui o período de governo de seu falecido marido, o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007). A estimativa de analistas é que as audiências durem pelo menos até maio de 2020. Isso porque o processo é grande, envolvendo ao todo 13 réus, mais de 50 contratos de obras públicas e cerca de 160 testemunhas. 

Julgamentos contra a ex-presidente por outros casos de corrupção podem ter início ainda em 2019. Cristina Kirchner é alvo de 12 processos na Justiça. Entre os vários casos, está a suposta fraude à administração pública devido a operações da venda de dólar futuro pelo banco central realizadas nos três últimos meses de seu governo. Cristina também está sendo processada em um caso de associação ilícita por corrupção em obras públicas. 

Cristina também está no centro do escândalo chamado de "cadernos da corrupção", em que as autoridades investigam suposto envolvimento em um esquema de corrupção em contratos de obras públicas durante a sua presidência.

Além disso, também tem problemas nos tribunais pelo caso conhecido como "Los Sauces", que tem a ver com lavagem de dinheiro e propinas envolvendo a imobiliária dos Kirchners. Outro caso investiga os hotéis de luxo da família Kirchner. Além disso existem quase sete dezenas de expedientes na Justiça que apontam seu suposto envolvimento em  “enriquecimento ilícito” e “desvio de fundos”.

A ex-presidente Cristina Kirchner é senadora, e tem foro privilegiado. Ela foi eleita em 2017 e seu mandato termina em 2021. Com a prerrogativa do cargo, Cristina só poderia ser presa se dois terços do Senado removerem seu foro, o que é improvável porque o Peronismo predomina no Senado./ AFP e REUTERS

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