Após massacre, Annan chega à Síria para tentar salvar negociação de paz

Tragédia síria. De volta a Damasco, emissário da ONU afirma ter ficado 'horrorizado' e 'chocado' com notícia do assassinato de 108 pessoas, incluindo 49 crianças, na cidade de Hula, no sábado; tanques de Assad mataram ontem 41 em Hama, acusa oposição

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2012 | 03h01

O ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, que atua como mediador internacional da crise na Síria, chegou ontem a Damasco para tentar impedir o fracasso definitivo de seu plano de paz, dois dias após o massacre de 108 pessoas - incluindo 49 crianças - na cidade de Hula. Annan afirmou estar "horrorizado" e "chocado" com a tragédia do sábado e exortou o presidente Bashar Assad e a oposição a implementar a proposta de paz.

Enquanto tinha início a nova missão do negociador da ONU, a oposição síria denunciava mais um massacre, desta vez em Hama. Ao todo, 41 civis teriam sido assassinados, horas depois de o Conselho de Segurança das Nações Unidas ter condenado a carnificina do sábado. As mortes em Hama teriam sido provocadas por tanques sírios, em retaliação a ataques de rebeldes a postos de controle em estradas.

Pouco após chegar a Damasco, Annan pressionou Assad a encerrar a repressão, mas evitou colocar a culpa pela violência apenas no ditador sírio. "A Síria deve dar passos ousados para mostrar a seriedade de sua intenção em resolver a crise pacificamente", afirmou. "Essa mensagem de paz não é apenas para o governo (sírio), mas para todos aqueles que têm uma arma."

Parte dos 280 observadores da ONU que estão na Síria está investigando o massacre do sábado, em Hula. Informações iniciais indicam que a maioria das mortes foi provocada por peças de artilharia pesada. Outras vítimas teriam sido mortas por disparos de curta distância - que poderiam ter sido efetuados tanto pelas tropas regulares quanto por grupos insurgentes.

Segundo relatos de ativistas locais, comerciantes de Hula tentaram ensaiar um boicote ontem, mas teriam sido forçados a abrir as portas das lojas.

Em resposta à condenação do Conselho de Segurança, a Síria negou em uma nota que suas forças tenham culpa pelo massacre em Hula. A tragédia, segundo Damasco, teria sido provocada por "terroristas" e soldados que apenas reagiram em legítima defesa.

Em 14 meses de revolta contra Assad, estima-se que mais de 10 mil pessoas - em sua esmagadora maioria civis - tenham sido assassinadas. Nos últimos meses, grupos insurgentes vêm ganhando força e aproximando a Síria de uma guerra civil com consequências imprevisíveis. / AP

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