Após massacre de estudantes, Nigéria reforça segurança em escolas

Policiais patrulharam entorno de centros de educação e soldados vigiaram transporte de alunos

30 Setembro 2013 | 18h22

LAGOS - No dia seguinte ao massacre atribuído a radicais islamistas que deixou mais de 40 estudantes mortos em uma escola agrícola da Província de Yobe, no nordeste da Nigéria, as autoridades do país começaram nesta segunda-feira, 30, a tomar medidas para tentar melhorar a segurança dos centros de ensino nigerianos na região. Patrulhas policiais vigiaram o entorno de instituições e soldados armados montaram guarda em ônibus escolares.

Fontes do governo afirmaram à agência de notícias Reuters que a intensificação do policiamento ostensivo tem como objetivo restabelecer a confiança da população nos centros estudantis de estilo ocidental que têm sido alvo de ataques da milícia islâmica Boko Haram – que, conforme o nome do grupo radical na língua haussá, considera pecaminosa a educação vinda do Ocidente.

No início de julho, outra escola do nordeste nigeriano – principal palco da luta entre os islamistas radicais e o governo do presidente Goodluck Jonathan – sofreu um ataque semelhante ao do domingo, que deixou 46 mortos. Dias depois, o Boko Haram prometeu novos ataques a centros educacionais.Uma fonte da presidência afirmou que o líder nigeriano se encontrou com comandantes militares e policiais no domingo para estudar a resposta à recente linha de ação dos insurgentes.

“Na reunião, eles decidiram fornecer cobertura especial de segurança para escolas no nordeste e alguns outros locais propensos a possíveis ataques”, disse o funcionário do governo, que acompanhou a conversa e preferiu não se identificar. “O presidente não está feliz. Ele ordenou os chefes de segurança a elaborar uma nova estratégia para que isso não ocorra outra vez.”

A matança do domingo, em que os estudantes foram arrastados de suas camas durante a madrugada antes de ser assassinados a tiros, é considerada a mais recente evidência de que a ofensiva que o governo nigeriano organiza desde contra o Boko Haram não tem funcionado.

Um funcionário de educação da Província de Borno – região vizinha ao local do ataque do domingo, onde nasceu a insurgência islamista nigeriana – disse que o governo acionou 30 ônibus com 100 assentos cada para levar os estudantes locais para as escolas. Quatro soldados armados, dois na dianteira e dois na traseira do veículo, faria a segurança dos alunos.

Milhares de pessoas já foram mortas na Nigéria – um país em que a metade da população é cristã – desde que o Boko Haram iniciou sua insurgência para instaurar um Estado islâmico no país, em 2009. Ao tornar-se mais audaciosa e mortífera, a milícia estabeleceu vínculos com islamistas do Saara, entre eles, o braço da Al-Qaeda no Norte da África. / REUTERS

 

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