Após mensagem das Farc, Chávez anuncia suspensão de operação

Em comunicado, guerrilha diz que operações do Exército colombiano torna impossível entrega dos reféns

Mariana Della Barba, CARACAS, O Estadao de S.Paulo

31 de dezembro de 2007 | 00h00

Depois de cinco dias de impasse, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, suspendeu ontem seu plano para resgatar três reféns em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) na selva colombiana. Chávez disse ter sido informado pelos guerrilheiros de que eles não poderiam entregar os seqüestrados por causa de ações militares do governo colombiano na região."Insistir na operação agora colocaria em perigo a vida dos reféns e dos membros das Farc", disse o venezuelano, citando a carta do grupo. O presidente colombiano, Álvaro Uribe, negou que haja na região em que os reféns podem ser entregues qualquer operação do Exército do país. "Não há iniciativas militares na região nas duas últimas semanas, nem combates, na região. Desde o começo, concordamos em não obstruir o resgate", afirmou Uribe, que, pela manhã, tinha viajado até Villavicencio, local onde desde sábado estão os observadores internacionais que testemunhariam a operação - entre eles, o ex-presidente argentino Néstor Kirchner e o assessor especial de relações exteriores do Palácio do Planalto, MArco Aurélio Garcia."Mais que isso, acabamos de concordar com os representantes internacionais para que se abra um corredor livre de atividades militares da nossa parte para que os guerrilheiros possam transportar os reféns do cativeiro até o suposto local em que serão entregues", prosseguiu Uribe, lembrando que há dezenas de motivos e experiência passadas para que não se confie na palavra Farc.A vasta operação liderada pelas Forças Armadas da Venezuela e autorizada pelo governo colombiano foi montada depois que as Farc haviam prometido libertar três reféns, num ato de desagravo a Chávez - que no mês passado foi desautorizado pelo governo da Colômbia a prosseguir mediando um acordo entre a guerrilha e Bogotá para trocar 46 seqüestrados políticos em seu poder por cerca de 500 guerrilheiros presos.Os três libertados seriam Clara Rojas, candidata a vice-presidente na chapa da candidata presidencial Ingrid Betancourt - ambas seqüestradas em 2002 -, a deputada Consuelo González de Perdomo, seqüestrada em 2001, e o filho de aproximadamente 3 anos de Clara nascido no cativeiro, Emmanuel. Numa surpreendente declaração, Uribe informou que o menino provavelmente já não está em poder da guerrilha, mas sim foi entregue ao serviço de assistência social do Departamento de Guaviare há vários meses. Citando uma "mudança de opção tática", Chávez disse que os representantes internacionais - convidados por ele para respaldar a operação - estavam reunidos com autoridades do governo da Colômbia para pedir com cessar-fogo. "Um cessar-fogo numa área específica abriria um porta para mantermos o processo de libertar os reféns por mais um, dois ou três dias. Se isso não ocorrer, teremos de pensar em outro plano", disse Chávez.Na semana passada, o líder venezuelano tinha dito que uma segunda opção seria uma "estratégia clandestina". Embora não tivesse dado detalhes sobre a alternativa, ele deu a entender que ela poderia envolver a entrega dos reféns secretamente em algum país vizinho, como Brasil ou Equador.IRRITAÇÃO Segundo os jornalistas argentinos que acompanham a viagem de Kirchner, o ex-presidente está irritado com a indefinição da operação de resgate - o que o obriga a permanecer em Villavicencio, vilarejo definido pela mídia como "lugar agradável", apesar do "calor infernal". Na sexta-feira, Chávez teria afirmado a Kirchner que tudo seria resolvido "em poucas horas".O ex-presidente, segundo a imprensa argentina, evita a comida local. Há duas décadas ele sofre de problemas gástricos e tinha levado seu "menu light" - frutas, iogurte e arroz integral - ração que começa a escassear. COLABOROU ARIEL PALACIOS

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