Christophe Petit Tesson/EFE
Christophe Petit Tesson/EFE

Após Merkel, Macron se distancia de Trump

Chanceler alemã e presidente francês demonstram ceticismo em relação à aliança com americanos depois das reuniões do G-7 e da Otan

O Estado de S.Paulo

29 Maio 2017 | 19h47

PARIS - Um dia depois do discurso da chanceler Angela Merkel, que manifestou a desconfiança dos alemães no apoio americano, o presidente francês, Emmanuel Macron, recebeu nesta segunda-feira, 29, o líder russo, Vladimir Putin, e ambos se comprometeram a melhorar as “tensas relações” entre seus países. O discurso do francês alinhou-se ao de Berlim, em um aparente distanciamento de Washington. 

No fim da semana passada, durante sua primeira participação nas cúpulas do G-7 e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o presidente americano, Donald Trump, se recusou a reiterar qualquer comprometimento com o Artigo 5 da aliança, que garante a defesa mútua de seus membros em caso de ataque. Desde que saiu candidato a presidente dos EUA, Trump critica aliados europeus e cobra deles maior contribuição financeira à aliança militar. 

A reunião de hoje em Paris foi a primeira de Macron com Putin desde que chegou ao poder e deu outra oportunidade ao francês de demonstrar seus talentos diplomáticos após o encontro com Trump na semana passada. A reunião foi programada para coincidir com o aniversário de 300 anos da visita a Versalhes do czar russo Pedro, o Grande. 

Apesar de um firme aperto de mãos, Macron e Putin mantiveram um tom cauteloso diante da imprensa. Putin admitiu diferenças de opinião durante a conversa, que tratou, entre outros temas, sobre os conflitos da Síria e da Ucrânia. No entanto, insistiu que as relações franco-russas resistem a “todos os pontos de fricção”. “Discordamos em um número de questões, mas pelo menos falamos sobre elas”, declarou Macron. 

O presidente francês expressou ainda o seu desejo de reforçar a cooperação com a Rússia na Síria, um dos pontos de maior tensão nas relações entre os países ocidentais e Moscou, que respalda o regime sírio de Bashar Assad. No entanto, em uma aparente advertência a Assad e à própria Rússia, Macron assegurou que o uso de armas químicas na guerra civil síria será “uma linha vermelha muito clara” para ele e, caso ela seja cruzada, haverá uma “resposta imediata” da França.

Enquanto em Paris um líder europeu tinha com o russo um “encontro franco”, segundo eles, em Berlim, o chefe da diplomacia alemã alfinetou o presidente americano, a exemplo do que fez Merkel no domingo. “A política míope do governo americano é contra os interesses da União Europeia”, escreveu o ministro das Relações Exteriores, Sigmar Gabriel, em comunicado. 

No domingo, em um comício em Munique, Merkel declarou que “o tempo em que podíamos depender completamente dos outros terminou”. Em resposta, a premiê do Reino Unido, Theresa May, afirmou hoje que seu governo será um “forte aliado” da União Europeia após sua separação do bloco. As declarações de May foram dadas no momento em que Londres tenta barganhar um acordo melhor para o Brexit. / Com AFP 

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