Após morte de espião, londrinos temem risco de radiação

O governo britânico pediu calma nesta segunda-feira, 27, enquanto cientistas descobriram mais sinais de radiação e três pessoas que relataram sintomas estranhos foram analisadas para verificar a hipótese de intoxicação por polônio-210, substância que, segundo médicos, matou o ex-espião da KGB Alexander Litvinenko. O governo anunciou um inquérito judicial sobre sua morte e o secretário de Interior, John Reid, se dirigindo especialmente para a Câmara dos Comuns, alertou contra conclusões apressadas sobre quem pode ser responsável pelo caso. A substância polônio-210 é mortal se ingerida ou inalada. Reid disse que os teste sobre as três pessoas eram apenas um precaução. Altas doses de polônio-210 - um raro elemento radioativo freqüentemente produzido em fábricas nuclear especializadas - foram encontradas no corpo de Litvinenko. Rastros de radiação foram encontrado em m bar no Hotel Millennium de Londres, uma filial do restaurante Itsu Sushi, na casa de Litvinenko ao norte da capital e em uma seção do hospital onde ele foi tratado antes de adoecer, dia 1º de novembro. O sushi-bar e parte do hospital foram fechados para descontaminação enquanto os testes ainda são realizados para determinar se o hotel precisa ser descontaminado. Outros dois locais - um quarteirão comercial em West End e a luxuosa vizinhança de Mayfair, ambos em Londres - também mostraram traços de radiação, segundo residentes, embora a polícia e funcionários da saúde não tenham confirmado esta informação. Centenas de pessoas ligaram para uma central de saúde por preocupações de que pudessem estar em risco, mas somente 18 pessoas foram encaminhadas à Agência de Proteção da Saúde. Destes 18, três exibiram sintomas que oficiais da saúde encaminharam para examinação em uma clínica especial como precaução, disse Katherine Lewis, porta-voz da agência. Ela se recusou a detalhar seus sintomas. Os testes devem demorar uma semana. Derek Hill, especialista em ciência radiológica da University College London, disse que o risco de saúde pública era baixo. Inquérito Embora uma autópsia não tenha sido começada por causa de preocupações sobre radioatividade, um inquérito sobre a morte do ex-agente poderia começar na quinta-feira, 30, segundo autoridades. Fontes do alto escalão britânico têm evitado culpar Moscou pela morte de Litvinenko. Nos comentários mais fortes direcionados à Rússia desde a morte do espião, o secretário de Gabinete Peter Hain, neste domingo último, acusou Putin de "grandes ataques à liberdade individual e à democracia" e reconheceu que relações entre Londres e Moscou estavam em uma estágio difícil. Hain disse que o mandato de Putin havia sido nublado por incidentes "incluindo um assassinado extremamente estranho da jornalista" Anna Politkovskaya. Litvinenko estava investigando o assassinado de Anna. Líderes da oposição exigiram uma explicação do governo sobre o mortal polônio-210 chegou na Inglaterra. "Todas as dependências no Reino Unido que usam essa substância são estritamente reguladas por agências reguladoras", disse Reid a legisladores. "Há cerca de 130 dependências que podem usá-la ... Não há relato recente da perda ou roubo de uma fonte de polônio-210 na Inglaterra ou em Gales". O ex-espião disse à policia acreditar que foi envenenado, dia 1º de novembro, enquanto investigava em outubro o assassinato de Anna, outra grande crítica do governo russo. A Polícia Metropolitana de Londres disse estar investigando o caso como uma "morte suspeita" ao invés de assassinato. Eles não descartaram a possibilidade de Litvinenko ter se envenenado.

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