Jawed Tanveer / AFP
Jawed Tanveer / AFP

Após morte de oficiais militares, Afeganistão adia eleições legislativas em Kandahar

Ataque cuja autoria foi reivindicada pelo Taleban matou Abdul Razik, comandante da polícia da província, e Abdul Momin, chefe da inteligência local

O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2018 | 07h24

CABUL - O governo do Afeganistão decidiu nesta sexta-feira, 19, adiar as eleições legislativas em uma semana na Província de Kandahar depois que os chefe da polícia e da inteligência locais foram mortos por um homem armado membro do Taleban.

Um porta-voz do presidente afegão Ashraf Ghani anunciou que o Comitê de Segurança Nacional decidiu em uma “reunião extraordinária” que a votação de domingo será suspensa, conforme recomendação de líderes provinciais e o Comitê de Segurança Nacional.

O ataque realizado na quinta-feira, cuja autoria foi reivindicada pelo Taleban, tinha como alvo uma reunião de militares americanos de alta patente e líderes afegãos na cidade de Kandahar.

O general Austin Scott Miller, principal comandante militar dos Estados Unidos no Afeganistão, escapou sem ferimentos, mas o tenente-general Abdul Razik, comandante da polícia de Kandahar, e Abdul Momin, chefe da inteligência da província, morreram em razão dos ferimentos de bala, de acordo com informações oficiais. O líder da província, Zalmai Wesa, foi hospitalizado em estado grave.

A morte de Razik, de 39 anos, um oficial anti-Taleban considerado o homem mais poderoso no sul do Afeganistão, causa choque de forças no país e enfraquece a gestão Ghani, que tem lutado para garantir a segurança no país durante a violenta corrida eleitoral.

“A cidade inteira está sob cerco”, disse Javed Faisal, um dos candidatos. “Todos estão de luto.” Ele afirmou que a cidade estava segura, mas que as “pessoas estão preocupadas, não apenas com Kandahar, mas com todo o país”.

O Taleban prometeu “perturbar severamente” a votação, na qual cerca de 2,5 mil candidatos concorrem aos 249 assentos do Parlamento. Dez postulantes já foram mortos até agora na onda de violência pré-eleição, além de mais de 100 outros afegãos.

Estados Unidos

O secretário de Defesa dos EUA, Jim Mattis, afirmou que o assassinato de Raziq  não mudará em nada a situação na Província de Kandahar, onde ele atuava.

"Encontrei os comandantes de segurança que o rodeavam. Vi os progressos das forças de segurança afegãs", declarou ele à margem de uma reunião em Cingapura. "O Afeganistão perdeu tragicamente um patriota. Mas não acredito que terá um efeito a longo prazo na região.” / W.POST e AFP

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