Após negar Holocausto, Ahmadinejad se diz orgulhoso

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou hoje estar orgulhoso pelo fato de que sua negativa do Holocausto enfureceu o Ocidente. "A ira dos assassinos profissionais do mundo é (fonte de) orgulho para nós", disse, segundo a agência estatal Irna. O controverso líder prometeu, porém, durante sua participação, nesta semana, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), levar uma mensagem de "paz e amizade".

AE-AP, Agencia Estado

21 de setembro de 2009 | 12h02

O mais recente comentário de Ahmadinejad sobre o massacre de milhões de judeus na Segunda Guerra (1939-45) ocorre no momento em que o Irã vive uma dura disputa com os Estados Unidos e outras nações ocidentais sobre seu programa nuclear. Após os comentários, a recepção, amanhã, ao presidente iraniano em Nova York deve ser ainda mais fria e acompanhada de protestos.

Na sexta-feira, Ahmadinejad questionou se o Holocausto era um "evento real". A referência aos "assassinos" aparentemente fala de Israel e Estados Unidos. Em várias ocasiões, ele já questionou o Holocausto. Para o líder iraniano, o evento foi usado como "um pretexto" para a formação de Israel. Ele também contesta o fato de organizações judaicas rechaçarem qualquer vínculo com algumas das atrocidades do nazismo e a situação atual no Oriente Médio. Boa parte do mundo árabe afirma que o Ocidente tem um viés favorável a Israel.

O Irã enfrenta atritos com os EUA, Israel e outros países, segundo os quais Teerã mantém um programa nuclear secreto, que inclui o desenvolvimento de armas nucleares. O país persa afirma que tem apenas fins pacíficos, como a produção de energia.

''Paz e amizade''

Ahmadinejad deve falar à Assembleia Geral da ONU nesta quarta-feira. "A mais importante mensagem da visita deste ano do presidente a Nova York é a paz e a amizade para todas as nações, combatendo a supressão e interagindo com elas na base da justiça e do respeito mútuo", afirmou um porta-voz do líder iraniano à agência Irna. As visitas anteriores de Ahmadinejad à ONU foram marcadas por fortes protestos. Em 2007, antes de discursar na Universidade Columbia, ele ouviu duras críticas do reitor da instituição.

O porta-voz disse que Ahmadinejad planeja diversas entrevistas durante sua viagem aos EUA. Segundo o funcionário, o "lobby sionista", apesar de seus esforços, não conseguirá "barrar a publicação de mensagens em busca de justiça para os iranianos".

Os EUA e mais cinco nações envolvidas (França, China, Rússia, Grã-Bretanha e Alemanha) aceitaram a oferta iraniana para que ocorram negociações "abrangentes" e "construtivas" sobre uma série de assuntos de segurança, incluindo o desarmamento nuclear. O chefe da política externa da União Europeia (UE), Javier Solana, terá um encontro com o negociador nuclear iraniano, Saeed Jalili, em 1º de outubro, para negociar a questão nuclear.

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