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Atef Safadi/EFE
Atef Safadi/EFE

Após Netanyahu, novo premiê de Israel tenta refazer laços com os EUA

Série de iniciativas ressaltou as complexidades e contradições da nova coalizão, que substituiu o governo de Binyamin Netanyahu no domingo

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2021 | 05h00

JERUSALÉM - A nova – e frágil – coalizão de governo de Israel emitiu ontem um primeiro sinal de suas prioridades com ministros falando a respeito das intenções de reparar os laços com os democratas, nos EUA, e com a diáspora judaica; de investigar o desastre em um local religioso que matou 45 pessoas no mês passado; e de autorizar uma marcha organizada pela extrema direita hoje em Jerusalém, que muitos temem que desencadeie a violência.

A série de iniciativas ressaltou as complexidades e contradições da nova coalizão, que substituiu o governo de Binyamin Netanyahu no domingo. A coalizão é resultado de uma improvável aliança entre a extrema direita, a esquerda e o centro – assim como, pela primeira vez na história de Israel, um partido árabe. Os anúncios feitos ontem pela coalizão também sublinharam como suas políticas divergem de Netanyahu em alguns pontos, mas dão continuidade à agenda do ex-primeiro-ministro em relação a outros.

Em seu primeiro discurso depois da posse, o novo ministro de Relações Exteriores, Yair Lapid, prometeu ontem reavivar as relações com membros do Partido Democrata. Esse laço se desgastou durante o governo de Netanyahu, que se antagonizava com o ex-presidente Barack Obama, foi amigo do republicano Donald Trump, e em seu último discurso como premiê atacou o presidente Joe Biden, qualificando-o de perigoso para Israel.

“O governo anterior assumiu uma terrível aposta, imprudente e perigosa, de colocar o foco exclusivamente no Partido Republicano e abandonar o posicionamento bipartidário de Israel”, afirmou Lapid a funcionários da chancelaria. “Estamos diante de uma Casa Branca, um Senado e uma Câmara democratas, e eles estão bravos. Precisamos mudar a maneira de trabalhar com eles”, acrescentou.

Lapid também prometeu fortalecer laços com judeus de outros países, em vez de se fiar primeiramente no apoio de cristãos evangélicos, que eram foco fundamental da projeção internacional de Netanyahu.“O apoio dos cristãos evangélicos e outros grupos é importante, mas os judeus são mais que aliados, são família”, afirmou Lapid. “Judeus de todas as posições – reformistas, conservadores e ortodoxos – são nossa família.”

O novo primeiro-ministro, Naftali Bennett, mostrou contrariedade no domingo em relação aos esforços liderados pelos americanos para restaurar o acordo nuclear com o Irã. Mas ele também agradeceu a Biden por seu apoio a Israel e conversou com o americano pouco depois de assumir o cargo.

Benny Gantz, ministro da Defesa, pediu a investigação do tumulto no início de maio em um local sagrado para os judeus, no Monte Meron, que matou 45 religiosos. Essa decisão marcou uma clara divergência em relação a Netanyahu, cujo governo dependia do apoio de políticos ultraortodoxos e não exigiu uma investigação por medo de enfurecê-los.

Mas o novo governo também pareceu disposto a manter um compromisso feito pelo governo de Netanyahu em seus últimos dias: a decisão de autorizar uma marcha da extrema direita judaica nos bairros palestinos de Jerusalém Oriental, o que, segundo críticos, poderia levar a uma escalada da violência com o Hamas.

A manifestação é uma versão reagendada de uma marcha originalmente planejada para o mês passado, uma das razões citadas pelo Hamas para disparar foguetes contra Jerusalém em 10 de maio, o que desencadeou uma guerra aérea de 11 dias entre o grupo palestino e Israel. O Hamas prometeu ontem reagir se a marcha for permitida, o que levou ao temor de novos disparos de foguetes ou confrontos entre palestinos de Jerusalém e manifestantes judeus.

A marcha representa o primeiro dilema do novo governo. Se reformular o trajeto, arrisca ser vítima da ira de seus integrantes de direita, que poderiam até deixar a coalizão. Se o governo mantiver a rota, enfurecerá facções esquerdistas e muçulmanas – algumas das quais já expressaram sua oposição. As difíceis escolhas ressaltam as fragilidades da nova coalizão, que poucos analistas consideram capaz de completar seu mandato. / NYT, TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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