Após nova vitória, rivais republicanos lutam para evitar disparada de Romney

Favorito na mira. Com o triunfo em New Hampshire, ex-governador de Massachusetts é o primeiro pré-candidato republicano a vencer as duas prévias iniciais do partido; ex-presidente da Câmara lança denúncias na TV contra líder da disputa pela Casa Branca

DENISE CHRISPIM MARIN , ENVIADA ESPECIAL , MANCHESTER, EUA, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2012 | 03h01

Com as projeções das tevês CNN e Fox News indicando a vitória do ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, nas primárias de New Hampshire, o conservador moderado tornou-se alvo de seus rivais no partido, que tentam evitar a definição precoce da disputa nacional. Romney será fustigado por uma violenta propaganda na TV para vincular sua imagem à de "campeão do desemprego" no país.

Apuradas 34% das urnas, Romney tinha 37% dos votos, seguido pelo deputado texano Ron Paul, com 24%, e o ex-embaixador de Obama na China Jon Huntsman, com 17%. Tinham 10% dos votos o ex-presidente da Câmara Newt Gingrich e o ex-senador Rick Santorum.

A vitória em New Hampshire e em Iowa converteu o ex-governador no primeiro membro do partido a vencer as duas primeiras etapas do processo de escolha de seu candidato à Casa Branca. Após as tevês anunciarem sua vitória, Romney falou a seus simpatizantes. "Nesta noite nós fizemos história. Nesta noite nós celebramos, amanhã vamos ao trabalho", afirmou. "O presidente (Barack) Obama quer reformar América. Quer tornar os EUA um país europeu. Eu quero restaurar a América. Esta campanha diz respeito a salvar a alma da América."

Diante da grande vantagem de Romney, o objetivo de seus rivais passou a ser o de desmontar a principal mensagem da campanha do ex-governador - a de que ele seria o único capaz de enfrentar a crise econômica, em razão de sua sólida experiência empresarial.

Para a próxima etapa da disputa, na Carolina do Sul, no dia 21, os adversários do ex-governador estão explorando uma declaração dada num encontro com eleitores na segunda-feira. "Gosto de ter o poder de demitir pessoas que prestam serviços a mim", disse, sobre fornecedores para o sistema federal de saúde.

O porcentual obtido em New Hampshire - um Estado onde eleitores democratas e independentes são expressivos e podem votar na primária republicana - estava aquém dos 40% conferidos a ele pelas pesquisas de opinião da semana passada, quando os ataques mais fortes de seus cinco concorrentes não haviam ainda começado.

Desemprego. Uma peça publicitária que ataca Romney foi custeada pelo grupo Vencendo Nosso Futuro, que apoia o ex-presidente da Câmara Newt Gingrich. Intitulado "O Rei da Bain: Quando Mitt Tomneu Chegou à Cidade", trará os casos de quatro empresas quase falidas adquiridas nos anos 90 pela Bain Capital - empresa de fundo de investimentos presidida por Romney entre 1984 e 1999. A peça publicitária mostrará ainda o depoimento de pessoas que perderam seus empregos nesse processo.

No filme, Romney é responsabilizado pela demissão de dezenas de milhares de trabalhadores. Outro vídeo, divulgado pelo Partido Democrata, acusa o pré-candidato de ter demitido 100 mil pessoas durante sua gestão na empresa.

Levantamento do Wall Street Journal diz que 78% dos 77 investimentos feitos pela Bain Capital, no valor de US$ 1,1 bilhão, foram bem-sucedidos. Mas 22% teriam passado por processos de reestruturação ou acabaram fechando suas portas no final de oito anos. A companhia de Romney, no entanto, teria lucrado US$ 2,5 bilhões.

A campanha de desmoralização de Romney poderá prejudicá-lo na Carolina do Sul, onde a média das pesquisas o aponta com 31,3% das intenções de voto. Nesse Estado, os movimentos evangélicos ultraconservadores têm maior peso político e o desemprego alcançou 9,9% em novembro.

Fora da disputa em New Hampshire, o governador do Texas, Rick Perry, aposta todas suas fichas nessa etapa para manter-se na disputa republicana.

Outra frente de ataques a Romney deve mirar sua posição sobre o aborto. Mal colocado na primária de Iowa e com fraco resultado em New Hampshire, Gingrich já preparou outro anúncio publicitário de 30 segundos no qual ataca a política de Romney sobre aborto quando governou Massachusetts, um dos Estados mais liberais dos EUA. "Ele não é confiável", diz a propaganda. Romney evitou revidar aos ataques.

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