REUTERS/Alexandre Meneghini
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Após novas proibições dos EUA contra turismo, rede hoteleira deixa de atuar em Havana

Desde que assumiu, Trump recuou na política de aproximação com Cuba iniciada pelo presidente Barack Obama e impôs novas sanções ao governo cubano

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2020 | 16h20

HAVANA - A rede hoteleira americana Marriott, que opera em Havana por meio do Four Points Sheraton, informou nesta sexta-feira, 5, que deixará de funcionar na ilha a partir do final de agosto, devido a proibições do governo Donald Trump

"O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos notificou a Marriott International que devemos encerrar nossa operação do Sheraton Four Points em Havana, Cuba, antes de 31 de agosto, e não poderemos abrir outros hotéis em Cuba que estejam em preparação", disse uma porta-voz da empresa. 

A informação foi divulgada um ano depois que os Estados Unidos proibiram viagens de cruzeiros de seu território para a ilha. 

A porta-voz lembrou que a Marriott entrou no mercado cubano em 2016 "com a permissão do governo dos EUA", no âmbito da reaproximação histórica entre Cuba e EUA durante o governo de Barack Obama. "Nossa licença de operação foi revisada e renovada em 2018, mas fomos informados recentemente de que a licença do governo não será renovada desta vez, obrigando a Marriott a interromper as operações em Cuba", acrescentou.

Desde a chegada de Donald Trump à Casa Branca, os EUA recuaram na política de aproximação a Cuba e multiplicaram as sanções contra o governo socialista. 

Ponto forte da economia

O turismo é o motor da economia cubana. Na semana passada, o Departamento de Estado adicionou sete empresas e hotéis cubanos à sua lista de entidades sancionadas, incluindo a financeira Fincimex, que administra o envio de dinheiro para a ilha por exilados cubanos. Esta empresa é a contraparte da Western Union na ilha. 

Essas remessas, estimadas pelo economista Carlos Mesa-Lago em US$ 3,5 bilhões em 2017, são um apoio valioso para a vida de muitas famílias, especialmente neste momento da pandemia de coronavírus, que agravou a escassez de alimentos na ilha. 

"A Marriott continua acreditando que Cuba é um destino que turistas, inclusive americanos, desejam visitar", disse a porta-voz do grupo, assegurando que "espera reabrir em Cuba se o governo dos Estados Unidos nos der permissão para fazer negócios lá novamente". / AFP

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