Sáshenka Gutiérrez/EFE
Sáshenka Gutiérrez/EFE

Após novo ataque a alvos públicos, ato contra Obrador exige mais segurança

Presidente mexicano conta com aprovação de 60%, mas sofre pressão popular em meio a alta na criminalidade; confronto entre polícia e traficantes no norte do país termina com 21 mortos e violenta ação contra prédios governamentais e viaturas

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2019 | 22h58

CIDADE DO MÉXICO - O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, convocou apoiadores para celebrar neste domingo, 1º, um ano de governo. A iniciativa foi ofuscada pela resposta de opositores, que protestaram na Cidade do México tendo como principal reclamação a alta na criminalidade. O último episódio da crescente onda de violência foi um confronto entre policiais e traficantes que deixou 21 mortos no norte do país no fim de semana.

O presidente mexicano, de 66 anos, entra no segundo de seus seis anos de governo com popularidade elevada, de cerca de 60%, mas com aprovação em queda nos últimos dois meses. Seu principal problema é o recrudescimento da violência ligada ao narcotráfico, maior preocupação dos mexicanos. A taxa de homicídios subiu 2% nos primeiros 10 meses de presidência. Foram cerca de 30 mil mortes no ano.

No confronto ocorrido entre sábado e este domingo, policiais enfrentaram traficantes ligados ao Cartel do Nordeste na cidade de Villa Unión, de 5 mil habitantes, a uma hora dos Estados Unidos. O poder de fogo dos criminosos chamou a atenção. Prédios públicos e veículos policiais foram alvo de armas de grosso calibre. Pelo menos quatro agentes foram mortos.

Segundo Miguel Riquelme Solis, governador de Coahuila, Estado onde fica Villa Unión, o confronto começou ao meio-dia de sábado, quando um grupo armado entrou na cidade em um comboio de caminhonetes blindadas. De acordo com a versão oficial, eles atacaram edifícios do governo municipal, o que fez as forças estaduais reagirem.

Durante o ato de comemoração, López Obrador citou o ataque no dia 4 de novembro a mórmons de origem americana estabelecidos no norte do México como um dos momentos mais difíceis no poder. Nove pessoas foram executadas, entre eles mulheres e crianças, no Estado de Sonora.

Parentes daquelas vítimas estavam entre os 10 mil manifestantes que marcharam pelo turístico Paseo de la Reforma, na Cidade do México, contra o aumento da violência. “Precisamos mudar tudo, mudar a estratégia antidroga. Nenhum presidente pode resolver o problema da violência sozinho”, disse Julián LeBarón, líder da comunidade mórmon. Neste domingo, a Procuradoria-Geral do México afirmou ter prendido vários indivíduos ligados ao crime.

O episódio motivou o presidente americano, Donald Trump, a divulgar um plano para designar os cartéis mexicanos como grupos terroristas. O projeto de Trump colocou pressão extra sobre o presidente mexicano, por levantar dúvida sobre possíveis ações americanas em terreno mexicano. 

Outro momento em que ficou evidente a dificuldade dos agentes mexicanos para manter domínio sobre parte de seu território foi a operação frustrada para capturar, em 17 de outubro, Ovidio Guzmán, filho de Joaquín “El Chapo” Guzmán, líder do Cartel de Sinaloa, condenado à prisão perpétua nos EUA. O governo foi obrigado a soltá-lo por ter menos poder de fogo que os criminosos. Um policial que deteve Ovidio foi executado com 155 tiros dias depois.

Economia

Analistas apontam o estancamento da economia mexicana, que entrou em recessão técnica ao registrar um retrocesso de 0,2% no primeiro e segundo trimestres e crescimento nulo no terceiro, como outro desafio de López Obrador. O Banco do México voltou a reduzir, na semana passada, a expectativa de crescimento do PIB. “Ainda não houve o crescimento econômico que desejamos, mas existe uma distribuição melhor da riqueza”, afirmou o presidente em seu discurso ontem.

Especialistas estimam que algumas ações do governo geraram nervosismo entre os investidores, principalmente o cancelamento do projeto milionário de um novo aeroporto na Cidade do México. A demora na aprovação do novo acordo comercial da América do Norte, o T-MEC, por EUA e Canadá, também minou a confiança dos investidores. / AFP, EFE e AP

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