Após novo naufrágio de imigrantes em Lampedusa, Itália pressiona UE

Governo pede revisão de política de imigração do bloco; 200 pessoas ainda estão desaparecidas

O Estado de S. Paulo,

04 de outubro de 2013 | 09h01

ROMA- Um dia depois do trágico naufrágio que matou ao menos 111 pessoas, o governo da Itália pediu nesta sexta-feira, 4, que a União Europeia "abra os olhos" para os problemas relativos à imigração no continente. A chanceler italiana, Emma Bonino, defendeu a criação de uma política comunitária para a questão. Apenas 155 imigrantes dos 500 que estavam a bordo sobreviveram. Metade dos passageiros, vindos da Eritreia e do Quênia, ainda está desaparecida.

"Esperamos que tragédias como essa abram os olhos de outros governos europeus para mudar essa política", disse Emma. O ministro do Interior, Angelino Alfano, que está na Ilha de Lampedusa, parte da Itália mais próxima do continente africano, afirmou que o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, deve ir ao local nos próximos dias para ver de perto o problema.

"Mostraremos a ele como essa ilha é a porta da Europa", declarou Alfano. "A Itália levantará sua voz para modificar a Convenção de Dublin sobre Imigração, que sobrecarrega os países com chegada constante de imigrantes. "

Deputados do Partido Democrático (PD), do premiê Enrico Letta, defendem a criação de corredores humanitários para imigrantes. Desde 2002, uma leia aprovada no governo de Silvio Berlusconi endureceu a posição contra imigrantes ilegais no país.

As vítimas do naufrágio serão enterrados em várias localidades da Sicília, que se ofereceram para receber os corpos. "É preciso dar a eles uma sepultura digna e vários povos sicilianos mostraram sua disponibilidade apesar de seus pequenos cemitérios", disse Alfano.

Os túmulos dos imigrantes serão como os que já existem no pequeno cemitério da ilha, lápides sem nome, sem nacionalidade e só indicarão se ali descansa um homem, uma mulher ou uma criança. Por enquanto, em razão das condições do mar, as buscas pelos corpos desaparecidos foram suspensas. / EFE

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