REUTERS/Fawaz Salman
REUTERS/Fawaz Salman

Após novos ataques a hospitais, MSF faz apelo à ONU para que tome 'atitude corajosa'

A organização faz um apelo aos integrantes do Conselho de Segurança para que tomem 'atitudes corajosas e práticas' na reunião de amanhã para impedir os bombardeios de hospitais em zonas de conflito

O Estado de S. Paulo

27 de setembro de 2016 | 05h00

Duas unidades de saúde da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) sofreram ataques que resultaram na morte de 20 pessoas no Iêmen no último ano. Os detalhes dos ataques estão nos relatórios que serão divulgados pela MSF nesta terça-feira, 27, um dia antes da sessão do Conselho de Segurança das Nações Unidas que discutirá a proteção das atividades médicas.  

A organização faz um apelo aos integrantes do Conselho de Segurança para que tomem "atitudes corajosas e práticas" na reunião de amanhã para impedir os bombardeios de hospitais em zonas de conflito. "MSF reitera seu apelo a todas as partes em conflito para que garantam o respeito aos princípios do direito internacional humanitário, que protege civis e também instalações médicas, seus pacientes e profissionais e, dessa forma, reduzam o massivo custo humano que caracteriza esse conflito", afirma a ONG em comunicado. 

A responsabilidade pelos ataques foi assumida pela coalizão liderada pela Arábia Saudita que conduz bombardeios no Iêmen contra os rebeldes houtis. A organização afirmou que está em contato com a liderança militar saudita e expressou suas "sérias preocupações" com os ataques em questão. No entanto, os ataques a hospitais da organização têm sido frequentes nas zonas de conflito. No último ano, vários foram registrados em países como Afeganistão e Síria. 

Os mais recentes, no Iêmen, deixaram, além de 20 mortos - a maioria, paciente - 32 feridos. Eles atingiram um hospital em Abs, na Província de Hajjah, no dia 15 de agosto, e a clínica da MSF na cidade de Taiz, no dia 2 dezembro de 2015. 

"Além da perda de vidas e da destruição causada pelos bombardeios, os ataques levaram à suspensão de atividades médicas, o que deixou uma população já muito vulnerável, sem acesso a cuidados de saúde", afirmou a ONG, em comunicado. "Apesar de haver diferenças significativas entre as circunstâncias que cercaram cada incidente, os bombardeios atingiram unidades médicas em pleno funcionamento e não respeitaram a proteção inerente às atividades médicas."

Segundo a organização, as investigações internas sobre os incidentes de Abs e Taiz concluíram que a neutralidade e a imparcialidade das instalações não haviam sido comprometidas antes dos ataques, de forma que não havia razões legítimas para atacar as unidades de saúde. "Os detalhes dos incidentes documentados nesses dois relatórios são indicadores inequívocos de como a guerra vem sendo conduzida no Iêmen, onde há um total menosprezo das partes em conflito pela vida civil", afirma o documento. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.