GREG BAKER / AFP
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Após novos casos em Pequim, China anuncia inspeção de alimentos importados

Capital chinesa registrou 183 novos casos desde última semana; foco foi o mercado de Xinfadi, que abastece Pequim com produtos frescos

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2020 | 14h08

PEQUIM - A China anunciou nesta sexta-feira, 19, o lançamento de uma campanha de inspeção de alimentos importados após o ressurgimento de casos de coronavírus em Pequim. A decisão foi adotada após semelhanças com cepas europeias do vírus terem sido detectadas no país. 

A capital chinesa, de 21 milhões, havia recuperado praticamente a normalidade depois de dois meses sem novos contágios. A epidemia era considerada praticamente erradicada no país graças ao uso de máscaras, testes massivos, quarentenas e o rastreamento de pessoas que entraram em contato com o vírus e com contaminados. 

Há alguns dias, o novo foco de coronavírus na capital foi registrado em pelo menos 30 regiões residenciais. A cidade fechou escolas e realizou testes de diagnóstico em milhares de habitantes. Na sexta, foram confirmados 25 novos casos de coronavírus em Pequim, totalizando 183 desde a última semana. 

"De acordo com os resultados preliminares, esse vírus viria da Europa", afirmou Zhang Yong, um alto funcionário do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China. "Mas é diferente da cepa do vírus que circula atualmente na Europa, é anterior". Segundo ele, poderia se tratar de uma versão do vírus que circulou no continente há semanas ou meses. 

A suspeita é que a origem das novas infecções poderia ser o mercado de Xinfadi, que abastece com produtos frescos a capital chinesa. Segundo Yong, essa cepa teria vindo de alimentos congelados europeus ou poderia estar há bastante tempo no mercado, tendo sobrevivido devido à umidade. 

Todos os trabalhadores e aqueles que tiveram contato próximo com casos confirmados ou com o mercado - que tem 112 hectares e tem 1,5 mil funcionários e mais de quatro mil barracas - foram obrigados a permanecer em casa e fazer um teste de coronavírus em um dos centros designados em Pequim.

O governo recomendou os moradores de Pequim a jogar fora todos os produtos congelados e a base de soja comprados em Xinfadi. Song Yueqian, funcionário da Administração Geral de Aduanas, anunciou a campanha para inspecionar alimentos frescos, congelados e os procedentes de países de alto risco. 

Na lista estão produtos marinhos, carnes e verduras congeladas. Até o momento, no entanto, as mais de 15 mil provas nesse tipo de alimento foram negativas.

"É possível que o vírus que provoca atualmente a epidemia em Pequim possa ter viajado de Wuhan para a Europa e tenha retornado agora para a China", disse Ben Cowling, professor do Centro de Saúde Pública da Universidade de Hong Kong.  / AFP 

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