Após o tremor, o caos político

Ainda não foram definidos os candidatos para o segundo turno, pois o resultado oficial foi rejeitado

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2011 | 00h00

Em meio à epidemia de cólera e ao caos eleitoral, o segundo turno da eleição presidencial previsto para o domingo é incerto. Os resultados divulgados há mais de um mês foram rejeitados pelos opositores e observadores internacionais. Segundo documento que foi divulgado à imprensa, a Organização dos Estados Americanos (OEA), que acompanhou a votação e a apuração, rejeitou o resultado - a publicação oficial ainda não foi feita.

Os resultados divulgados pelo governo mostram a candidata opositora Mirlande Manigat em primeiro lugar, com 31,3% dos votos. Ninguém contesta a liderança dela, mas a dúvida é sobre quem é seu adversário no segundo turno. O Conselho Eleitoral do Haiti afirma que é o candidato governista Jude Celestin, genro do atual presidente, René Preval. Segundo números oficiais, ele teria obtido 22,5% dos votos, pouco mais do que o cantor populista Michel Martelly, que teria recebido 21,8%.

No entanto, de acordo com o relatório da OEA, as posições deveriam ser invertidas, com Martelly no segundo turno contra Manigat, pois o cantor teria recebido mais votos do que Celestin. Por causa do impasse, não há perspectiva de que a votação final ocorra antes de fevereiro.

Mark Weisbrot, do Center for Economic and Policy Research (CEPR), que preparou o mais amplo relatório sobre a votação, é ainda mais cético. "Não sei como qualquer observador profissional pode certificar este resultado", afirmou. Segundo seu levantamento, 72,9% dos eleitores não conseguiram votar e "qualquer definição de resultado será arbitrária" e uma nova eleição deveria ser convocada.

No dia da votação do primeiro turno, o Estado verificou que a maioria dos eleitores não encontrou seus nomes nas listas nos postos de votação. Além disso, a maioria dos eleitores perdeu os títulos eleitorais no tremor. Trabalhando com estimativas no grande número de mortos no terremoto e na epidemia de cólera que atingiu o país, o governo ainda decidiu aplicar automaticamente uma dedução de 7% sobre o total dos votos válidos.

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