Após onda de protestos, Medvedev ordena investigação de eleições

Pressão. Presidente russo responde no Facebook a manifestantes que exigem a anulação dos resultados da votação do dia 4, mas não comenta os pedidos pelo afastamento de Putin, feitos na maior marcha contra o governo desde o fim da União Soviética

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2011 | 03h03

O presidente russo, Dmitri Medvedev, ordenou ontem uma investigação para apurar as denúncias de fraudes supostamente ocorridas nas eleições parlamentares do dia 4. Medvedev anunciou a decisão em sua página no Facebook um dia depois de dezenas de milhares de manifestantes tomarem as ruas das principais cidades do país exigindo que os resultados do processo eleitoral fossem anulados.

Da cidade portuária de Vladivostok, no leste, a Kaliningrado, no oeste, milhares de pessoas protestaram pedindo a saída do primeiro-ministro Vladimir Putin. Em Moscou, cerca de 25 mil manifestantes, segundo a polícia, participaram de uma marcha contra o governo. Já de acordo com os organizadores da manifestação, 150 mil pessoas compareceram ao protesto, considerado a maior demonstração contra o governo russo desde o fim da União Soviética, há 20 anos.

Entre as exigências dos manifestantes estão a libertação imediata de todas as pessoas que foram presas na semana passada por causa dos protestos; a realização de novas eleições para a Duma (Câmara Baixa); a demissão do chefe da Comissão Central Eleitoral, Vladimir Y. Churov; uma investigação das violações cometidas durante o processo eleitoral; e o registro dos chamados "partidos de oposição de fora do sistema", que foram proibidos de nomear candidatos para a eleição presidencial, em março.

Medvedev respondeu às críticas dos manifestantes pelo Facebook, mas não comentou os pedidos feitos para a saída de Putin do poder. "Eu não concordo com os slogans e as declarações feitas nas manifestações. No entanto, dei instruções para que sejam checadas todas as informações referentes ao cumprimento da lei nos centros de votação", escreveu o presidente russo. "Os cidadãos da Rússia têm liberdade de expressão e de organização. As pessoas têm o direito de se expressar. Tudo foi feito dentro dos parâmetros da lei."

Promessas. Apesar das promessas feitas por Medvedev, Putin não se pronunciou oficialmente e declarações feitas pelo seu porta-voz, Dmitri Peskov, não deram indicações de que o premiê esteja disposto a fazer grandes concessões aos manifestantes. "Nós respeitamos o ponto de vista dos manifestantes, nós estamos escutando o que está sendo dito, e continuaremos a escutá-los", afirmou Peskov em uma nota divulgada na noite de sábado.

Uma nova manifestação contra o governo foi marcada para o dia 24, independente das reações do Kremlin.

Analistas políticos russos acreditam que a probabilidade de Putin ser afastado do poder é pouca, apesar da raiva popular provocada pelas denúncias de corrupção. No entanto, especialistas afirmam que a autoridade do premiê, que há 12 anos controla o país, foi prejudicada e pode ser reduzida gradualmente caso ele volte à presidência após as eleições de março nas quais é o favorito. "Putin tem uma tarefa incrível pela frente, pois perdeu Moscou e São Petersburgo, cidades cruciais onde tudo normalmente começa", afirmou a analista política Liliya Shevtsova. / AP, REUTERS e NYT

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