Martin Bernetti/AFP
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Piñera propõe 'acordo social' em resposta a protestos no Chile que já mataram 13

Senado aprovou mais cedo lei que permite ao presidente anular ou limitar um aumento dos preços das passagens, um dos estopins das manifestações; Exército decreta toque de recolher na capital pelo terceiro dia

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2019 | 18h52
Atualizado 22 de outubro de 2019 | 06h51

SANTIAGO - O presidente do Chile, Sebastián Piñera, propôs na noite dessa segunda-feira, 21, um "acordo social" para fazer frente às demandas expressas durante a onda de protestos sociais que dura quatro dias e já deixou 13 mortos em todo o país.

"Amanhã (terça) me reunirei com presidentes de partidos, tanto do governo quanto da oposição, para poder explorar e oxalá avançar para um acordo social que permita a todos nos aproximarmos com rapidez, eficácia e também responsabilidade para melhores soluções aos problemas que afligem os chilenos", afirmou o presidente em mensagem pública.

Mais cedo, o Senado chileno aprovou por unanimidade um projeto de lei que congela o aumento das tarifas do transporte público em Santiago, cujo anúncio na semana passada deu início às manifestações. A lei permite ao presidente anular ou limitar um aumento dos preços das passagens. Ao mesmo tempo, o Exército do Chile decretou um novo toque de recolher na região metropolitana Santiago, o terceiro nos últimos dias.

O projeto tinha sido enviado com urgência por Piñera para tentar acalmar os ânimos da população, que protesta contra a alta das tarifas e as desigualdades no país desde a semana passada.  Na noite de domingo, o presidente declarou que o Chile estava "em guerra", depois que o país foi abalado por três dias de manifestações violentas e saques que deixaram 13 mortos e quase 1,5 mil detidos.

O ministro do Interior, Andrés Chadwick, informou na segunda-feira que havia 11 mortos, sendo que 10 pessoas morreram queimadas e uma foi baleada por militares. Mais tarde, um homem que participava de um saque foi atropelado por um veículo das forças armadas ao tentar fugir do local, disse o chefe do estado de emergência em Concepción, 500 km ao sul de Santiago.

Na madrugada desta terça-feira, 22, foi encontrado o corpo de um homem que morreu eletrocutado durante outro saque a um supermercado no centro da capital chilena, totalizando 13 vítimas até o momento.

O texto da lei, de artigo único, foi analisado em uma sessão especial que permitiu que os senadores refletissem sobre as manifestações dos últimos dias. Os senadores condenaram os incidentes de violência, mas pediram unidade para que o país possa resolver concretamente os problemas elencados nas manifestações.

Entre as questões citadas na reunião estão o descontentamento popular com os baixos salários e aposentadorias, o alto preço dos remédios, a precariedade do sistema administrado pelo Fundo Nacional de Saúde (Fonasa) e a elevação das tarifas do transporte público.

Também foram discutidos o alto custo das necessidades básicas no Chile, as taxas de juros bancárias, a precariedade da educação, o endividamento da população, a desigualdade de renda e o papel da Constituição Política.

Empresa elevou preço da tarifa na hora do rush

No último dia 6 de outubro, o Metrô de Santiago, uma empresa privada que tem participação do governo do Chile, aumentou o preço da passagem na hora do rush em 30 pesos chilenos, e a tarifa passou para 830 pesos (o equivalente a R$ 4,70, na cotação de hoje).

O preço é estabelecido por um painel de especialistas, que baseiam o cálculo em vários indicadores, como a inflação, os custos para a operação das linhas, dentre outros. Depois, os valores são aprovados pelo Ministério de Transporte.

Em protesto contra a alta dos preços das tarifas do metrô, centenas de chilenos, especialmente estudantes do ensinos médio e superior, começaram na última segunda-feira uma série de protestos nas estações, levantando as catracas para que os passageiros entrassem sem pagar.

As manifestações ganharam outras cidades do país a partir da sexta-feira. Grupos radicais começaram a praticar atos de violência pelas ruas de Santiago, o que levou Piñera a decretar estado de emergência na capital e outras regiões do país.

Governo decreta toque de recolher pelo terceiro dia

O general de divisão do Exército do Chile e responsável pela segurança de Santiago durante o estado de emergência, Javier Iturriaga, explicou que o toque de recolher começa a valer a partir das 20h de hoje (mesmo horário em Brasília) e será mantido até às 6h de amanhã.

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Segundo Iturriaga, o novo dia de protestos começou pacífico na capital do Chile, mas, com o passar do tempo, os episódios de violência foram crescendo. "Começamos muito tranquilos e, lentamente, grupos de pessoas começaram a se reunir com a intenção de causar prejuízos e violência para justificar suas demandas", disse o general.

Só na região metropolitana de Santiago 97 pessoas foram presas nessa segunda-feira.

Além da capital, o Exército do Chile decretou toque de recolher na região de Valparaíso, na Província de Concepción e nas cidades de Antofagasta, La Serena, Coquimbo, Rancagua, Talca e Valvídia. / EFE e AP

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