Alejandro Ernesto/Efe
Alejandro Ernesto/Efe

Após partida do papa, Cuba alivia cerco a dissidentes

Segundo opositores, até 600 foram detidos na visita de Bento XVI; ontem, telefones voltaram a funcionar

Guilherme Russo, O Estado de S. Paulo,

29 Março 2012 | 22h20

No dia seguinte ao encerramento da viagem do papa Bento XVI a Cuba, os telefones dos opositores do regime socialista voltaram a funcionar e os dissidentes presos em cadeias ou em suas casas puderam voltar a circular, juntamente com os moradores de rua retirados do espaço público das principais cidades do país durante a visita do pontífice.

“Este é o primeiro telefonema que recebo em quatro dias”, afirmou ontem ao Estado o ativista Elizardo Sánchez, presidente da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN) que, como a grande maioria dos opositores da ilha, teve seus telefones, fixos e móveis, cortados no dia em que o papa chegou ao país.

“Centenas de mendigos foram levados a centrais de internação, centenas de dissidentes foram presos e centenas de telefones foram cortados.” Segundo Sánchez, o governo cubano retirou das vias “entre 200 e 300” moradores de rua, “que pela manhã começaram a reaparecer (em Havana)”, e prendeu “ao redor de 300” opositores durante a visita do papa.

“Feliz por poder aproveitar o privilégio da comunicação”, o ativista disse que o principal beneficiado pela passagem do pontífice pelo país foi o governo, “que obteve uma demonstração de respaldo, afora a visibilidade”. “Em segundo lugar, vem a Igreja Católica, que verá aumentado o espaço para seu trabalho religioso (na ilha).” Para Sánchez, porém, “não haverá nenhum resultado em termos de maiores liberdades civis, políticas, econômicas e culturais no país”. “A situação continuará sendo muito negativa para o povo.”

De acordo com o militante, um “pedido humanitário” que Bento XVI teria feito ao presidente Raúl Castro na quarta-feira, ao reunir-se com o líder cubano, intrigou a dissidência.

“Não sabemos de quem o papa estava falando, por quem foi feito esse pedido.”

‘Desaparecido’. Sánchez disse que o homem agredido na segunda-feira, pouco antes da missa que o pontífice rezou em Santiago de Cuba, “está preso pela polícia política secreta”. O militante garante que membros do CCDHRN testemunharam a prisão, após o “manifestante pacífico” ter gritado palavras de ordem contra o regime.

Até ontem, o homem não tinha sido identificado ou localizado pela dissidência cubana, que exige um esclarecimento sobre o caso. / COM REUTERS  

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.