AAP/Mick Tsikas/via Reuters
AAP/Mick Tsikas/via Reuters

Após pedido de apuração, China ameaça exportações da Austrália 

Embaixador chinês diz que país pode rejeitar produtos australianos, que pedem à OMS investigação sobre a origem do vírus

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2020 | 20h48

SYDNEY - As relações entre chineses e australianos ficaram tensas nesta segunda-feira, 27, após a publicação de uma entrevista do embaixador Cheng Jingye dizendo que os chineses podem boicotar produtos da Austrália, que pediu uma investigação sobre a origem da covid-19, cujos primeiros casos foram registrados na cidade chinesa de Wuhan.

Ao ser perguntado pelo jornal The Australian Financial Review sobre a solicitação australiana, Cheng, que é embaixador em Camberra, disse que a “população chinesa” poderia rejeitar mercadorias da Austrália. “Talvez as pessoas comuns se perguntem: ‘Por que eu deveria beber vinho australiano? Comer bife australiano?’”, afirmou o diplomata. 

O embaixador afirmou ainda que os turistas chineses poderiam evitar a Austrália. “Os pais dos estudantes também podem pensar se este (a Austrália) é o melhor lugar para mandar suas crianças.” 

Na semana passada, a Austrália pediu à Organização Mundial da Saúde (OMS) que apoiasse uma investigação independente sobre a origem do novo coronavírus. Além do pedido, o governo australiano faz lobby junto a líderes estrangeiros para que aceitem a apuração. De acordo com a chanceler australiana, Marise Payne, uma “avaliação honesta” da pandemia fortaleceria o papel da OMS.

Hoje, depois da entrevista, Payne criticou, em comunicado, a posição chinesa. “Rejeitamos que uma coerção econômica seja uma resposta apropriada a um pedido (de investigação sobre a origem do coronavírus), quando o que precisamos é de cooperação global.” No comunicado, Payne disse também que a Austrália fez uma “chamada de princípios” para uma revisão independente do surto de covid-19. 

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, rejeitou o pedido de investigação, apesar de não falar especificamente sobre a Austrália. “A China é o primeiro país a denunciar um caso de covid-19, mas isso não significa que o vírus tenha se originado na China”, disse.

“Algumas pessoas estão tentando exagerar. O pedido para investigação é inconsistente e ocorre em meio à uma atmosfera internacional de cooperação. Essas manobras políticas não serão bem-sucedidas”, disse o porta-voz chinês.

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A Austrália tem a China como grande parceira comercial nos setores de energia, educação e turismo. Além disso, a China é o maior mercado de exportação de vinho e carne bovina dos australianos. Autoridades da Austrália registraram mais de 6,7 mil casos de covid-19 e 83 mortes pela doença. 

Hoje, a imprensa estatal chinesa informou que Wuhan não tem mais nenhum paciente internado com covid-19, segundo a Comissão Nacional de Saúde. As informações publicadas pela imprensa estatal chinesa, no entanto, não especificavam se havia doentes infectados com sintomas leves que não exigiam internação na cidade.

Na última sexta-feira, as autoridades de saúde registraram haver um último paciente em Wuhan que, de acordo com as informações divulgadas pela comissão, também havia recebido alta. Wuhan, cidade onde a epidemia começou, não registra casos graves desde sexta-feira e está há pelo menos 14 dias sem qualquer morte por covid-19. A cidade, capital da Província de Hubei, registrou 3.869 mortes e mais de 50 mil infectados. / REUTERS e EFE

 

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